Antinori: O Rejuvenescimento do Chianti e a Ascensão dos Supertoscanos

 

O Perfume do Chianti

O Perfume do Chianti: História de uma Família. Rio de Janeiro, Editora Rocco, 2012, R$ 39,50.

Este é o livro de memórias de Piero Antinori, o homem no comando de uma das mais importantes vinícolas da Europa, a Marchese Antinori, que produz vinhos mundialmente famosos e premiados, como o Solaia e o Tignanello.

Neste livro ele narra a sua trajetória na vinícola dos Antinori, família italiana com tradição de mais de seis séculos na produção e comércio de vinho, cujo comando ele assumiu em 1966. Ao longo da narrativa, ficamos sabendo das condições de como foram concebidos os vinhos mais famosos da casa e como uma vinícola de características basicamente familiar se transformou em um império mundial, com ramificações até no Napa Valley, nos Estados Unidos.

A revolução dos Chianti

Os Antinori fizeram uma revolução na produção e comercialização do chianti, tradicional vinho produzido na região Toscana, que até a década de 70 do século passado era sinônimo de vinho barato, engarrafado em frascos cobertos de palha, de pouco corpo e altamente ácido, gozando de baixo prestígio fora da Toscana.

Uma garrafa de vinho Chianti

Uma garrafa de vinho Chianti revestida de palha

Piero narra as dificuldades que os Antinori tinham em colocar seus vinhos nos melhores restaurantes das grandes capitais européias, devido ao baixo prestígio que este possuía.

Piero nos conta neste livro das melhorias nas técnicas de vinificação, a introdução de cepas francesas como a Cabernet Sauvignon em seu vinhos e as resistências enfrentadas pelos produtores tradicionais da Toscana, que diziam que os novos vinhos não eram mais o velho e querido chianti deles. Outra medida importante foi a redução na produção por hectare.

Os Supertoscanos

Outra revolução importante foi a que culminou com a criação dos chamados supertoscanos, hoje mundialmente conhecidos e com preços lá nas alturas.

Um outro produtor da Toscana, Mario Inciso della Rochetta, primo do pai de Piero, iniciou a produção de um vinho chamado Sassicaia, feito com Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon. Este vinho foi lançado no mercado pelos Antinori em 1968 e foi recebido com entusiasmo pelos críticos e público. Logo os Antinori lançaram seu próprio vinho neste novo estilo, o Tignanello, com uma mistura de 80% de Sangiovese e 20% de Cabernet Sauvignon.

vinho Tignanello Antinori

Uma garrafa do supertoscano Tignanello

Como estes vinhos não eram produzidos de acordo com as legislações da Toscana, eles não podiam ostentar o selo de qualidade em seus rótulos e, oficialmente, eram classificados como vinho inferior. No entanto, a qualidade destes vinhos se impôs e a legislação foi alterada em 1992, e a partir daí eles passaram a ostentar a classificação Indicazione Geografica Tipica em seus rótulos.

O livro conta toda esta história em detalhes e mostra como a família Antinori teve papel importante nos episódios mais importantes. Vale a leitura, com certeza!

Pequena História do Vinho II – Império Romano e Idade Média

Época Romana

A era do Império Romano aprimorou o cultivo do vinho e elevou o seu consumo a outro patamar, espalhando pelos domínios do Império.

Foi nesse período que surgiram os primeiros tanoeiros,  construtores  de barris de madeira . Estes já eram utilizados para armazenar e transportar o vinho, da mesma forma como ainda é utilizado pelos produtores atuais. A colocação do vinho em ânforas de cerâmica também era comum, mas posteriormente foram suplantadas pelos barris de madeira.

Ânfora Romana

Ânfora Romana

vitivinicultura,  cultivo da vinha e a produção de vinhos, teve  inúmeros avanços. Por exemplo, o uso da treliça para suspender as videiras do solo foi implementado com grande sucesso. O conhecimento técnico do vinho dos romanos  serviu de base para assentar os fundamentos do cultivo atual.

Com a  expansão do Império Romano, o vinho também se espalhou  para a Itália, Alemanha, Espanha e França. Foram os romanos que introduziram a viticultura na região de Bordeaux no século I d.C..

A importância da cultura do vinho no Império Romano pode ser deduzida pelos registros do culto ao deus Baco, deus do vinho romano. Eram comuns festas regadas com esta bebida, que se transformavam em verdadeiros bacanais. O caráter libertino deste culto levou à sua proibição pelo Imperador Romano em 186 d.C..

O vinho desempenhou também um papel importante no judaísmo e no início do cristianismo, conforme refletidos nos seus cultos. No judaísmo o vinho sempre foi parte importante nas celebrações religiosas, como as do casamento e da Páscoa, o que pode ser comprovado nos registros do Velho Testamento na Bíblia. No caso do Cristianismo, o vinho foi introduzido na Eucaristia Cristão por volta de 300 d.C..

A queda do Império Romano teve reflexo no comércio do vinho, com a quebra das rotas comerciais por onde escoavam a produção. No entanto, a Igreja manteve a viticultura viva, com seu cultivo  feito basicamente nos mosteiros, embora o mesmo não fosse comercializado para fora destes.

Importante papel neste sentido desempenhou o Papa Gegório Magno, que incentivou as ordens monásticas a expandir a produção do vinho.

A Idade Média

A invasão dos mouros na Espanha teve conseqüências importantes para o cultivo do vinho. Este continuou nesta região, mas em menor escala. Os mouros, de fé muçulmana, não consumiam o vinho, mas toleravam o seu cultivo e consumo pelos espanhóis. No entanto, o Califa Ozman ordenou a destruição de grande parte dos vinhedos em Valença, na Espanha, por volta de 900 d.C., mas 300 anos depois a Espanha,  com o declínio do poder Mouro, recuperou seus vinhedos.

Ao Imperador Carlos Magno são atribuídas importantes medidas que tiveram impactos sobre a produção do vinho. Ele era um apaixonado por esta bebida e as leis que ele introduziu por volta de 800 d.C. referente ao plantio da uva e a vinicultura foram importantes para o desenvolvimento das regiões vinículas no norte da França e na Alemanha.

A região de Bordeaux foi objeto de disputa entre a França e a Inglaterra na Idade Média, que só terminou com o final da Guerra dos Cem Anos, onde a região passou a ser definitivamente pertencente à França. Mas o comércio com os ingleses prosperou, sendo que estes se tornaram os principais clientes dos vinhos produzidos nessa região.

Os padres da Igreja contribuíram para o avanço do estudo da viticultura e da enologia. Em 1.308 o Papa  Clemente V instalou o papado em Avignon, permanecendo lá por 70 anos. O famoso vinho Chateauneuf du Pape teve sua origem aí.

Fontes: Henderson & Dellie, Sobre Vinhos, Cengage, 2012.; Vinhos do Mundo Todo, Zahar Ed., 2006; Revista Adega, edição 100, editora Inner.

Qual a Melhor Uva Quando for Escolher um Vinho?

Quando eu for comprar um vinho, qual uva eu devo escolher? Esta é uma pergunta que a maioria das pessoas fazem quando começam a adentrar o mundo dos vinhos e, na verdade, não possui uma resposta simples.

Colocar o nome da uva nos rótulos dos vinhos é um costume mais recente e ficou muito popular com o advento dos chamados vinhos do Novo Mundo, que são os vinhos feito fora da Europa ou do Velho Mundo.

Os vinhos que são feitos somente com uma uva são chamados varietais e os que são feitos com várias são chamados blend, uma abreviação para a palavra  assemblage, que significa corte em inglês.

Na Europa, os melhores vinhos não costumam evidenciar nos rótulos qual ou quais as uvas com que eles são feitos. Os vinhos da região de Bordeaux, por exemplo, são feitos com uma mistura de três uvas: Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. Este é o famoso corte bordalês. Alguns produtores adicionam Petit Verdot. A percentual de cada uva que entra na composição do vinho é normalmente definido pelo vinicultor e nem sempre é divulgado.

Por sua vez, o famoso vinho Châteauneuf-du-Pape é feito com uma mistura de 13 uvas, enquanto que os vinhos  produzidos na Borgonha, outra famosa região da França são produzidos predominantemente apenas com uma uva, a Chardonnay para os vinhos brancos e a Pinot Noir para os vinhos tintos.

Plantação de Pinot Noir na Borgonha, França

Coleta manual de Pinot Noir em plantação na Borgonha, França

Uma coisa importante quando se fala em uvas é o clima da região em que ela é cultivada. Algumas uvas se adaptam facilmente a diversos climas, como é o caso da Cabernet Sauvignon, que é considerada uma casta internacional, pois é plantada praticamente no mundo todo. Outras são de cultivo mais difícil, como a Pinot Noir, que é considerada uma uva muito exigente quanto ao clima. Algumas autoridades em vinho dizem que a Pinot Noir  só dá bons vinhos na Borgonha. No entanto, esta uva já tem sido plantada com resultados interessante na California, Nova Zelândia  e no Chile.

Sem dúvida alguma, é possível fazer vinhos de qualidade com todo tipo de uva e isto  depende muito mais do cuidado e da capacidade do vinicultor em criar um vinho mais  complexo e estruturado.

No entanto, determinados tipos de uvas podem soar mais agradáveis ao paladar de alguns do que outras, principalmente quando se está começando a apreciar vinhos de qualidade. Uvas como Merlot e Carmenere podem agradar mais inicialmente, pois são uvas que produzem vinhos mais suaves. Mas com o passar do tempo, as pessoas passam a gostar também de outras uvas que adicionam mais complexidade aos vinhos.

Onde Comprar Vinhos em Paris

Paris é  uma das cidades mais lindas da Europa e para os amantes do vinho é um paraíso. A cidade é cheia de restaurantes e bistrôs que servem bons vinhos a bons preços e com razoável variedade, inclusive com opções em taças, o que é ótimo quando não se quer beber muito ou sua companheira ou companheiro não bebe .

Levando vinho para casa

No entanto, você provavelmente irá querer levar alguns bons vinhos na mala de volta para o Brasil e aí vale a pena saber onde compra-los a bons preços.

Com relação à preços, não espere encontrar vinhos Grands Crus da Borgonha ou Bordeaux de primeira linha a preços de pechincha, pois estes vinhos são disputados no mundo inteiro. Na verdade, não se surpreenda se encontrar um Petrus a um preço superior a do Brasil em Paris.

Mas se o objetivo for comprar bons vinhos, pode-se encontrar preços que podem chegar a um terço do praticado no Brasil e até menos do que isto se garimpar as diversas  promoções ofertadas pelas adegas e supermercados.

As melhores adegas

Lavinia

Loja de vinhos Lavinia, na rue Madeleine

Loja de vinhos Lavinia, na rue Madeleine

Estando em Paris, não deixe de ir na Lavinia. Trata-se de uma das maiores redes da Europa de vinhos, com filiais na Espanha, Suissa e Ucrânia. Em Paris, tem dois endereços, mas o melhor é que fica na rua Madeleine. Neste endereço mantêm um estoque com milhares de  rótulos espalhado em três pisos.

O estoque é dividido por regiões da França, com grande variedade de Bordeuxs e Borgonhas, mas é possível encontrar rótulos de outros países, inclusive da América do Sul.

No piso de baixo há um departamento de acesso controlado, somente com rótulos top de bordeaux, borgonhas e outras regiões da França, além de rótulos de fora da França.

Neste endereço tem também um amplo, bonito e bem concorrido restaurante, onde se pode pedir diversas sugestões de pratos harmonizados com diverso vinhos em taças. Há combinações com bons bordeux, alguns segundos vinhos de grandes chateux e outras regiões. Excelente oportunidade de desfrutar de uma harmonização feita por quem entende.

Endereço: 3 boulevard de la Madeleine, 75001 PARIS Tel : 0033 (0)1 42 97 20 20 Métro : ① Concorde / ③Havre-Caumartin / ⑧⑫⑭Madeleine  site: www.lavinia.fr

Lucien Legrand Filles & Fils

Esta é uma loja relativamente pequena, mas charmosa e que possui um bom acervo. Eles também comercializam vin en premeurs, uma forma de contar grands crus a preços mais camaradas. O problema é esperar cerca de dois anos para a entrega.

Adega Lucien Legrand Filles & Fils, Galeries Vivienne

Adega Lucien Legrand Filles & Fils, Galeries Vivienne

A adega fica em uma das galerias mais charmosas e cult de Paris, as Galerias Viviane, freqüentada por gente descolada que curte arte e antigüidades.  Neste endereço funciona também um dos bistrôs  mais recomendados de Paris, dos mesmos proprietários.

Endereço: 1, rue de la Banque 75002 Paris Tél : +33 1 42 60 07 12 site: www.caves-legrand.com/fr/

 

Nicolas

Esta é uma rede realmente muito grande, com cerca de 470 lojas espalhadas pela França. Tem muitas lojas em Paris e são em sua maioria lojas de pequeno e médio porte, mas com bom estoque de rótulos de todas as regiões da França. Sempre há boas ofertas.

Recentemente abriram uma loja grande na Place de la Madeleine com uma proposta parecida com a da Lavinia. Não tive a oportunidade de conferir ainda.

Endereço: há muitos endereços em Paris, mas a loja recém inaugurada na Madeleine é 31 Place de la Madeleine 75008 Paris site: www.nicolas.com

Galeries Lafayette

As Galerias Lafayette são um dos templos de consumo mais famosos da Europa, imperdível para quem quer fazer compras em Paris e encontrar grandes marcas da moda. Para os apreciadores de vinhos, há a La Bibliotheque des Vins, com um grande estoque de todas as regiões da França.

Bordeauxtheque, Galeries Lafayette

Bordeauxtheque, Galeries Lafayette

La dentro, funciona também a Bordeauxtheque, um espaço só de bordeux grands crus, com mais de 1500 rótulos. Você vai encontrar safras de bordeaux anteriores  à década de 40 do século XX, a preços que podem chegar a custar mais de 60 mil euros. O lugar é todo envidraçado, fazendo um contraste com as garrafas. Simplesmente deslumbrante! Há também um bar a vin para degustações harmonizadas. Não conferi o bar, pois nos dias em que estive lá estava sempre cheio.

Endereço: Galeries Lafayette, 48, Boulevard Haussmann 75009 Paris  site: haussmann.galerieslafayette.com

Comprando vinhos em supermercado

Em Paris, como não poderia ser diferente, os supermercados possuem amplas e organizadas sessões de vinhos. Não estive no Carrefour deles, mas conheci algumas lojas do Monoprix, uma rede de supermercado que possui lojas espalhadas em toda Paris. A muitas ofertas, com bons rótulos com preços inferiores a 10 euros.

No aeroporto Charles de Gaulle

 Se não teve tempo de comprar vinhos em Paris, há também uma boa loja no Aeroporto. A loja se chama Oenotheque e possui boa variedade de vinhos de toda a região da França.

Adega Oenotheque, aeroporto Charles de Gaulle

Adega Oenotheque, aeroporto Charles de Gaul