Livro: Sobre Vinhos – J. P. Henderson e Dellie Rex

Livro Sobre Vinhos

Sobre Vinhos – J. Patrick Henderson & Dellie Rex, ed. Cengage, tradução da segunda edição americana, 2012, R$ 189,00.

O lançamento deste livro demonstra o quanto o mercado de vinho está evoluindo no Brasil. Trata-se da tradução de um texto didático americano voltado para os cursos de gastronomia e de gestão em hotelaria, mas pela abrangência da cobertura, ele é útil para qualquer pessoa que goste de vinhos e que queira saber mais sobre o assunto.

O livro é dividido em 6 partes ou seções, sendo que a última está disponível somente no site da editora, que pode baixar os arquivos inserindo um código que consta no livro. Eu fiz isto e consegui baixar os arquivos sem problemas.

A primeira parte do livro consta de 5 capítulos, com um introdução ao vinho, sua história, como são feitos os diversos tipos de vinhos, como apreciar o vinho e a arte da harmonização do vinho com a comida.

As quatro seções seguintes cobrem as regiões vinículas mundiais, com a seção II dedicada à Europa, a seção II dedicada à América do Norte e a seção IV o resto do mundo.

A seção que está disponível on-line cobre os negócios do vinho, incluindo questões relacionadas ao marketing e distribuição, elaboração e gerenciamento de uma carta de vinho e a venda e serviço do vinho. Também inclui alguns apêndices sobre as leis e áreas vitícolas norte-americanas, classificações francesas e organizações e publicações vinícolas.

O livro traz também um apêndice exclusivo para a edição brasileira sobre o vinho no Brasil, escrito por Gerson Bonilha Junior, que faz um panorama sobre o vinho em nosso país, cobrindo história, regiões vinícolas e legislação.

Para mim, a primeira e a última seção são as mais interessantes do livro, pois abordam com boa profundidade muitos assuntos que só são cobertos de forma muito superficial na maioria dos livros disponíveis no mercado.

Enfim, embora seja um pouco caro, vale a pena adquirir, pois constitui-se em um livro indispensável na biblioteca de qualquer um que leve o vinho à sério.

Pequena História do Vinho I – Mundo Antigo

O vinho acompanha a humanidade há mais de 70 séculos. Registro dele são encontrados no Gilgamesh, coletânea de poemas e lendas sumérias, na Bíblia e no Talmude, livro sagrado dos judeus. No entanto, o vinho que nossos antepassados bebiam era bastante diferentes do que nós apreciamos hoje, pois este é resultado de um aprimoramento histórico que durou milênios.

O vinho é resultado de processamento e a  fermentação do suco da uva, mas ao longo do tempo ele foi feito de outros frutas também, como grãos, arroz e até mesmo de flores. Mas hoje, o que costumamos  chamar de vinho é apenas o  feito de uvas viníferas.

A história do vinho

Egito e Grécia

Dionysus, Greek God of wine

Dionísio, deus grego do vinho

Os historiadores não sabem  uma data e local precisos para o aparecimento do vinho, mas sabe-se quase com certeza que ele foi consumido pela primeira vez no Oriente Médio, por volta do ano 5.000 a 6.000 a.C., na Persia, atual Irã. As  vinhas mais antigas do mundo cultivadas foram encontradas à noroeste do Irã, atual República da Georgia.

Provavelmente este vinhos eram feitos de tâmara ou outras frutas arbóreas. Somente mais tarde é que passaram a ser feitos de uvas viníferas - vitis vinifera ou uvas européias. Também era comum o vinho feito de uvas não viníferas - vitus viparial ou uvas comuns.

Os primeiros vinhos com uvas viníferas apareceram por volta de 3.000 a.C.  no  Egito e na Fenícia. O vinho desempenhou importante papel na cultura egípcia, como atestam os achados arqueológicos. Há registros da forma como os egípcios faziam a colheita, a produção e o transporte do vinho em pinturas em tumbas antigas.

O vinho era também cultivado na na China Antiga, já por volta de  2.000 a.C. e era feito de  arroz ou uvas.

Por volta de 2.000 a.C. o vinho surge na Grécia antiga e passa a desempenhar importante papel cultura grega, o que pode ser comprovado no culto ao deus Dionísio, o deus grego do Vinho. O culto do deus Dionísio era chamado o simposium e era uma festa muito concorrida, onde os gregos bebiam em honra ao deus para afastar as preocupações.

Em torno de 1.000 a.C. começa  a expansão da cultura grega pelo mundo antigo e com ela espalha-se também a cultura do vinho em direção à Itália, ao sul da França e na Península Ibérica.

O vinho que era tomado nesta época era bem diferente do vinho atual, quase com certeza  feito  com uvas passas secas e era um  liquido pesado, doce, quase um xarope e  engarrafado em ânforas.

Fontes: Henderson & Dellie, Sobre Vinhos, Cengage, 2012.; Vinhos do Mundo Todo, Zahar Ed., 2006; Revista Adega, edição 100, editora Inner.