Procurando Bons Vinhos a Preços Acessíveis

1.000 Grandes Vinhos

Capa do livro 1.000 Grandes Vinhos

1.000 Grandes Vinhos Que Não Custam uma Fortuna das Melhores Vinícolas do Mundo
Jim Gordon (org). São Paulo, Editora Globo, 2012, R$ 89,90.

Este é um livro diferente da maioria dos livros sobre vinhos disponíveis no mercado. Como seu título indica, ele tem a proposta de encontrar bons vinhos a preços acessíveis.

Com essa proposta em mente, seus autores pesquisaram no mundo todo vinhos com qualidade, sofisticação, autenticidade e caráter regional, de forma que o leitor possa apreciar o vinho plenamente sem estourar o orçamento.

Com os vinhos franceses, por exemplo, os autores concentraram suas buscas nos segundos rótulos dos grandes châteaux, que embora não tenham o prestígio dos rótulos principais, apresentam muitas das características deste grandes vinhos, por um preço muito mais em conta.

Na Borgonha, por sua vez, os autores procuraram vinícolas menos conhecidas, mas que residem próximas das mais famosas e com preços altíssimos. Aqui, a tese dos autores é que estes vinhos possuem algumas das complexidades do terroir que tornaram famosos os grandes vinhos da Borgonha. Isto é, claro, uma tese um pouco polêmica, pois muitos especialistas dizem que terrenos localizado um metro de distância de outro na Borgonha apresentam grandes diferenças de qualidade.

Já para os demais países da Europa e do Novo Mundo, a idéia foi encontrar grandes rótulos que não os top de cada vinícola ou então boas vinícolas menos conhecidas.

O livro tem uma boa cobertura global, contendo inclusive uma seção sobre o Brasil, com indicações de vinícolas como Miolo, Dall Pizzol e Perini.

Há também muitas informações sobre harmonização com vinhos de cada região, as principais uvas utilizadas na vinificação, dicas de degustação, serviço do vinho, etc.

O livro é bastante útil e serve como instrumento de consulta permanente e no caso do Brasil, grande parte dos vinhos indicados estão presentes no mercado brasileiro, trazidos pelas principais importadoras. Mas para saber isto é necessário fazer uma pesquisa na internet para verificar se o vinho interessado está disponível ou não.

Quanto à questão dos preços, o parâmetro dos autores é o mercado americano e muitos vinhos que eles consideram com bom custo benefício por lá não chegam aqui com preço acessível, devido as nossas condições tributários ou a política de preços do importador, onde um segundo vinho de um grande château pode custar cerca de mil reais. No entanto, nas pesquisas que fiz, a maioria das indicações custam entre 100 e 200 reais.

Cabernet Sauvignon, a Mais Nobre das Uvas Tintas

A Cabernet Sauvignon é cepa tinta mais difundida no mundo e certamente a mais importante no cenário vinícola atual. Os vinhos produzidos com esta uvas estão entre os mais caros e dentre eles estão os Bordeaux mais famosos, como o Château Mouton-Rotschild e o Château Lafite-Rotschild. É a uva principal na combinação com a Merlot e a Cabernet Franc, o famoso corte bordalês.

Ela nasceu de um cruzamento entre as cepas Cabernet Franc e Sauvignon Blanc. As uvas desta cepa tem como características serem pequenas e com cascas grossas, resultando em grande proporção de casca em relação ao suco, o que por sua vez leva a vinhos com cor bastante escura e com muito taninos. O fato de possuir cascas grossas torna esta uva resistente ao sol, aos orvalhos e aos fungos, tornando-se também uma cepa bastante resistente a pragas e a podridão.

Cabernet Sauvignon

Vinhedo com plantação da cepa Cabernet Sauvignon

A presença forte de taninos fazem com que os vinhos feitos desta cepa tenha como característica necessitar de bastante tempo para desenvolver seu bouquet bastante complexo, que com tempo passa a mostrar a presença de cassis, amoras pretas e jasmin, entre outros.

A passagem por barris de carvalho adiciona o sabor frutado,com a presença de baunilha, cravo da índia e alcaçuz.

A combinação de taninos abundantes e sabor frutado, em cortes bem feitos, produzem vinho que podem durar de dez a vinte nos na garrafa ou até mais do que isso, como é o caso dos grandes vinhos de bordeaux.

O envelhecimento na garrafa pode mostrar maior complexidade do vinho, podendo ser notada a presença de tabaco, madeira e trufas, entre outros sabores.

Os bons vinhos produzido com Cabernet Sauvignon são normalmente possantes, bem estruturados, bastantes sérios e um pouco exuberantes. Quando jovem, podem parecer austeros e um pouco duros.

Esta uva é também uma das mais utilizadas para a produção de vinhos varietais, de todos as faixas de preços, principalmente no Novo Mundo, como são chamados os países que produzem vinhos fora da Europa.

A Cabernet Sauvignon e plantada atualmente em todo o mundo, da França à China, principalmente em Bordeux e no sul da França. Ela se dá bem em climas quentes e necessita de muito sol.

É uma das uvas que mais se adaptou ao clima dos novo mundo, com excelentes resultados nos Estados Unidos, Chile, Nova Zelândia, Africa do Sul e Austrália. A Cabernet Sauvignon tem produzido bons resultados no Brasil também.