Malbec: A Expressão do Terroir Argentino

A Malbec é uma das cinco variedades clássicas de Bordeaux, ao lado da Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Petit Verdot. Nesta região, ela tem sido usada com freqüência junto com a Cabernet Sauvignon para dar complexidade e cor ao vinhos.

A Malbec é originária de Cahors, no sudeste da França, onde tradicionalmente produz um vinho encorpado, escuro, chamado na França de vin noir ou vinho negro.

Vinhedo de Catena

Vinhedo na vinícola Catena Zapata, Argentina
Fonte: www.catenawines.com

Nas últimas décadas, tem diminuída sua produção em Bordeaux, mas tem crescido muito sua produção na California e na América do Sul.

Mas é na Argentina onde ela foi plantada com mais sucesso e se transformou na uva mais importante desse país, produzindo vinhos prestigiados no mundo inteiro. Ela foi levada para a Argentina no final do século XIX, mas até os anos 80 do século passado produzia um vinho bastante adstringente.

Deve-se ao pionerismo de Nicolas Catena a ascensão da Malbec no mercado internacional, pois este produtor revolucionou a vitivinicultura do país, através de um tratamento mais científico ao plantio da uva e a produção do vinho. Outros produtores o seguiram, aumentando o nível do vinho argentino. É sem dúvida alguma a uva que se vem a mente quando se pensa em vinhos produzidos na Argentina, a que melhor representa seu terroir.

Hoje se produz, com a Malbec na Argentina, um vinho mais suculento e sensível, que é a assinatura dos vinhos argentinos. Os viticultores passaram a reduzir a irrigacão e as safras, o que ajudou a melhorar a qualidade dos vinhos produzidos. Passaram também a manipular as uvas de forma mais cuidadosa, de forma a melhor captar as diversas complexidades presentes nas cascas das uvas.

Os vinhos produzidos com a Malbec têm como características serem concentradas, ricos em potência, mas com frescor e pureza frutal, contendo toques de de cereja, canela e framboesa. Possuem também taninos potentes. Hoje, os melhores Malbec argentinos possuem cor muito escura, são muito concentrados, possuem muito corpo e alto teor alcoólico, aliado a uma maciez que agrada bastante o paladar.

Atualmente o Chile também produz bons vinhos Malbec, bastante concentrados devidos ao clima mais quente da região onde é plantada a uva. Ela é plantada ainda na Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos, mas nesses países ela produz vinhos sem muita expressão no mercado internacional.

 

 

Reservado, Reserva ou Gran Reserva: O Que Significam Estes Termos?

É muito comum encontrarmos estes termos nos rótulos do vinhos, principalmente nos vinhos da Espanha e América do Sul, embora outros países têm adotado cada vez mais estes termos.

Aparentemente, eles parecem conferir um selo de qualidade ao vinho, que seriam dessa forma de qualidade superior.

Alguns anos atrás, um vinho que vinha com o termo Gran Reserva no rótulo dificilmente custava menos de R$ 100,00 aqui no Brasil. No entanto, hoje é comum encontrarmos vinhos de menos de R$ 40,00 ostentando esses termos no rótulo.

A pergunta que se faz é se eles realmente significam alguma coisa a mais em qualidade ou se são somente estratégia de marketing.

Barris de Carvalho

Vinho envelhecendo em barris de carvalho em uma vinícola, na Espanha.

Na verdade, estes termos são de origem espanhola, onde eles são definidos por legislação e tem que cumprir certos requisitos para poderem colocar estes termos nos rótulos dos vinhos.

Para os vinhos espanhóis, temos o que se segue.

Crianza: vinhos que ostentam a palavra crianza, que quer dizer berçário em espanhol, passaram pelos menos 6 mese em barris de carvalho e mais 2 anos na garrafa antes de distribuídos para serem comercializados.

Reserva: indica que o vinho passou pelo menos 12 meses em barris de carvalho e que ficou mais 2 anos armazenado em garrafa antes de comercializado.

Gran Reserva: para ostentar este termo no rótulo, um vinho espanhol tem que ter passado pelo menos 3 anos em barris de carvalho e mais 2 em garrafa.

Nos vinhos da América do Sul, estes termos são meio vagos, pois como não existem uma legislação específicas sobre este assunto, estes procedimentos não são padronizados e variam de produtor para produtor.

Como regra geral, normalmente reserva significa que o vinho passou por um tempo em barris de carvalho e o gran reserva mais tempo ainda. Mas o tempo aqui depende de cada produtor.

Tem que se observar ainda que o fato do vinho passar por barril de carvalho não significa necessariamente que se trata de um vinho superior. Na verdade, o uso exagerado do carvalho pode produzir vinhos desequilibrados e enjoativos, quando outras características são negligenciadas.

Em tempo, o termo Reservado, comum nos rótulos de vinhos mais simples da América do Sul não significam nada de especial em termos de qualidade, sendo apenas usado como estratégia de marketing.

Vinho: Quanto Mais Velho, Melhor?

Uma das coisas sobre o vinho que já virou mito é que quanto mais velho, melhor. Mas isto nem sempre é verdade.

Vinhos antigos

Vinhos envelhecendo em adega subterrânea.

Atualmente, mais de 90% dos vinhos que são produzidos no mundo todo são para ser consumidos rapidamente, normalmente nos dois primeiros anos depois de lançados no mercado. Isto é possível por que as modernas técnicas de vinificação permitem que os vinhos estejam prontos para o consumo poucas semanas depois de engarrafados.

Como estes vinhos são vinhos simples e baratos, com a maioria que encontramos nas gôndolas dos supermercados, eles não se beneficiarão de um maior tempo de guarda e, na verdade, tendem a piorar ou mesmo estragar se ficarem muito tempo armazenado.

No entanto, os grandes vinhos se beneficiarão com o tempo de armazenamento nas garrafas e muitos deles só revelarão toda complexidade com o tempo.

Quais os vinhos que se beneficiarão com a guarda

De forma geral, os vinhos que são considerados candidatos a serem guardados são aqueles vinhos potentes que possuem boa reserva de taninos, álcool e acidez, além de possuírem também uma boa dose de concentração de sabor de frutas.

Os vinhos tintos são mais propensos a envelhecer bem, pois o contato do suco da uva com as cascas traz maiores complexidades a esses vinhos, que só desabrocham completamente com o tempo. Os taninos são muito fortes no início, e dependem do tempo para ficarem mais arrendondados.

No entanto, alguns brancos podem envelhecer bem e durarem décadas, como os grandes brancos da Borgonha, que podem durar mais de 20 anos. Na verdade, os brancos que melhor envelhecem são os doces, sendo o mais famoso deles o Château de d`Yquem, do qual existem garrafas de mais de 50 anos ainda bebíveis.

Alguns fatores também contam para saber se o vinho deve ser envelhecido ou não. Vejamos alguns deles:

Tipos de uvas: algumas uvas são mais propícias a gerar vinhos que devem ser envelhecidos do que outras. Nos tintos, a Cabernet Sauvignon é uma uva que produz vinhos potentes que necessitam de tempo para evoluir. Da mesma forma, a Nebbiolo, que produz os grandes vinhos da Itália, o Barolo e o Barbaresco. Nas brancas, tanto a Chadornnay quanto a Riesling produzem vinhos que merecem envelhecer na garrafa.

Qualidade da colheita: Algumas colheitas são melhores do que outras e tendem a produzir vinhos melhores e com potencial de envelhecimento maior. Isto vale principalmente para os vinhos do velho mundo, onde a utilização de modernas técnicas de vinificação são mais restritas do que no Novo Mundo.

Vinificação: o cuidado com que o vinicultor conduz a produção também é essencial para produzir vinhos com capacidade de evoluir ao longo do tempo.

A ação do tempo sobre o vinho

Os vinhos tintos que possuem quando jovens uma cor escura e profunda, muito corpo e bastante taninos, tendem a adquirir, com o tempo, uma cor alaranjada e se tornam mais suaves, menos encorpados e mais delicados.

O oxigênio que entra pela rolha é que é responsável por estes efeitos. O aroma também se transforma, vindo a tona aromas secundários. Mas também pode haver perda de aromas com o tempo.

Guardar ou beber

Beber ou guardar, eis a questão.

Já os brancos, por sua vez, passam de uma cor brilhante para uma cor dourada. Os aromas também sofrem alterações, revelando aromas secundários que estavam ocultos quando os vinhos estavam ainda jovens.

Pode-se questionar se vale a pena comprar vinhos para deixarem envelhecer em vez de bebê-los logo, mas vale a pena experimentar um grande vinho envelhecido pelo menos uma vez na vida, para sentir a diferença. Afinal, a melhor coisa no mundo do vinho é a capacidade de nos surpreendermos constantemente com novas descobertas.

Chardonnay, a Mais Versátil das Uvas Brancas

Uva Chardonnay

Cachos de uvas Chardonnay prontas para a colheita

A Chardonnay é uma uva originária da região da Borgonha, na França. É a equivalente branca da Cabernet Sauvignon, pois como esta é também uma uva muito versátil, adaptando-se a vários tipos de solo ao longo do mundo, mas mantendo suas características básicas.

É cultivada tanto em clima frio quanto quente. Sua cepa se adapta a todo tipo de clima, donde sua popularidade. No entanto, ela dará vinhos mais secos e com acentos minerais em um clima frio e com aromas de frutas em um clima mais quente.

O método de produção utilizado também influi, pois pode-se ter um corpo que varia entre fresco e ácido, como na região de Chablis e até untuoso e de sabor amanteigado, como na California.

O seu caráter aromático recende geralmente a limão, maçã verde e pera. No paladar temos freqüentemente limão, limão verde, maçã, amêndoa fresca e pera.

Os melhores vinhos com a uva Chardonnay são produzidos na Borgonha e quase todo borgonha branco é produzido com esta uva. No entanto, produz-se também excelentes vinhos com Chardonnay na Califórnia, no Chile, na Argentina, na África do Sul e na Austrália.

Os vinhos produzidos com esta uva podem assumir características distintas, dependendo se passam ou não por barris de carvalho. Os que não estagiam em barris de carvalho são mais leves e mais secos. São ótimos com ostras ou frutos do mar.

Vinhedo de Chardonnay

Plantação de uva Chardonnay em Meursault, no departamento de Cotê d`Or.

Já os que estagiam em barris de carvalho são vinhos mais encorpados, com bastante estrutura, chegando a lembrar um vinho tinto leve. O estágio em barris de carvalho também adiciona notas de torrada, avelã, baunilha e de manteiga ao vinho. Acompanha bem carnes brancas e peixes e, por causa de sua estrutura, também podem acompanhar carnes vermelhas mais leves. Neste caso, a temperatura de serviço deve girar por volta de 13° ou 14°, a mesma sugerida para um tinto leve.

A Chardonnay tende a produzir muitos cacho por videira, razão pela qual é necessária a poda para não comprometer a qualidade. As cascas são finas e por isso são mais suscetíveis a mofos, bolor e vários outros tipos de doenças.

Trata-se, com certeza, de uma das uvas mais importantes no mundo do vinho. É com ela que se produz os grandes vinhos secos do mundo. E também os mais caros. É igualmente utilizada na produção dos grandes champagnes.