Vinho: Quanto Mais Velho, Melhor?

Uma das coisas sobre o vinho que já virou mito é que quanto mais velho, melhor. Mas isto nem sempre é verdade.

Vinhos antigos

Vinhos envelhecendo em adega subterrânea.

Atualmente, mais de 90% dos vinhos que são produzidos no mundo todo são para ser consumidos rapidamente, normalmente nos dois primeiros anos depois de lançados no mercado. Isto é possível por que as modernas técnicas de vinificação permitem que os vinhos estejam prontos para o consumo poucas semanas depois de engarrafados.

Como estes vinhos são vinhos simples e baratos, com a maioria que encontramos nas gôndolas dos supermercados, eles não se beneficiarão de um maior tempo de guarda e, na verdade, tendem a piorar ou mesmo estragar se ficarem muito tempo armazenado.

No entanto, os grandes vinhos se beneficiarão com o tempo de armazenamento nas garrafas e muitos deles só revelarão toda complexidade com o tempo.

Quais os vinhos que se beneficiarão com a guarda

De forma geral, os vinhos que são considerados candidatos a serem guardados são aqueles vinhos potentes que possuem boa reserva de taninos, álcool e acidez, além de possuírem também uma boa dose de concentração de sabor de frutas.

Os vinhos tintos são mais propensos a envelhecer bem, pois o contato do suco da uva com as cascas traz maiores complexidades a esses vinhos, que só desabrocham completamente com o tempo. Os taninos são muito fortes no início, e dependem do tempo para ficarem mais arrendondados.

No entanto, alguns brancos podem envelhecer bem e durarem décadas, como os grandes brancos da Borgonha, que podem durar mais de 20 anos. Na verdade, os brancos que melhor envelhecem são os doces, sendo o mais famoso deles o Château de d`Yquem, do qual existem garrafas de mais de 50 anos ainda bebíveis.

Alguns fatores também contam para saber se o vinho deve ser envelhecido ou não. Vejamos alguns deles:

Tipos de uvas: algumas uvas são mais propícias a gerar vinhos que devem ser envelhecidos do que outras. Nos tintos, a Cabernet Sauvignon é uma uva que produz vinhos potentes que necessitam de tempo para evoluir. Da mesma forma, a Nebbiolo, que produz os grandes vinhos da Itália, o Barolo e o Barbaresco. Nas brancas, tanto a Chadornnay quanto a Riesling produzem vinhos que merecem envelhecer na garrafa.

Qualidade da colheita: Algumas colheitas são melhores do que outras e tendem a produzir vinhos melhores e com potencial de envelhecimento maior. Isto vale principalmente para os vinhos do velho mundo, onde a utilização de modernas técnicas de vinificação são mais restritas do que no Novo Mundo.

Vinificação: o cuidado com que o vinicultor conduz a produção também é essencial para produzir vinhos com capacidade de evoluir ao longo do tempo.

A ação do tempo sobre o vinho

Os vinhos tintos que possuem quando jovens uma cor escura e profunda, muito corpo e bastante taninos, tendem a adquirir, com o tempo, uma cor alaranjada e se tornam mais suaves, menos encorpados e mais delicados.

O oxigênio que entra pela rolha é que é responsável por estes efeitos. O aroma também se transforma, vindo a tona aromas secundários. Mas também pode haver perda de aromas com o tempo.

Guardar ou beber

Beber ou guardar, eis a questão.

Já os brancos, por sua vez, passam de uma cor brilhante para uma cor dourada. Os aromas também sofrem alterações, revelando aromas secundários que estavam ocultos quando os vinhos estavam ainda jovens.

Pode-se questionar se vale a pena comprar vinhos para deixarem envelhecer em vez de bebê-los logo, mas vale a pena experimentar um grande vinho envelhecido pelo menos uma vez na vida, para sentir a diferença. Afinal, a melhor coisa no mundo do vinho é a capacidade de nos surpreendermos constantemente com novas descobertas.