Espumante e Champagne São a Mesma Coisa?

Características

Espumante é o nome genérico que se dá para um vinho borbulhante ou efervescente. É um vinho duplamente fermentado, sendo que a segunda fermentação se dá por meio da adição de levedura ou açúcar ao vinho produzido na primeira fermentação. Esta segunda fermentação é a que permite a formação de bolhas de gás carbônico, responsável pela efervescência do vinho.

O espumante geralmente é um vinho branco, mas também se produz espumante rosé ou mesmo tinto.

Ele pode ter diversas graduações de doçura, indo do mais seco ao mais doce, conforme a seguir: Extra-Brut, Brut, Extra-Dry, Sec, Demi-Sec, Doux ou doce. O mais comum são o Brut ou seco e o Demi-Sec, mais adocicado.

Remuage

Processo manual de produção do Champagne em uma vinícola na França

As uvas mais utilizadas na produção do espumante são, na França, a Pinot Noir, a Chardonnay e a Pinot Meunier. Na California, a Pinot Noir e Chardonnay e, com menos freqüência, a Pinot Meunier e a Pinot Blanc são as mais utilizadas.

Nos vinhos espumantes, as uvas são colhidas mais cedo, para que a uva não produza muito açúcar e assim, o vinho produzido na primeira fermentação não seja muito alcóolico, pois se aumentará a concentração de álcool na segunda fermentação. Nos climas frios, as uvas ficam maduras mais cedo, como na região de Champagne na França.

Além disso, não é desejável que o suco da uva carregue excessos de sabores ou cor da casca da uva. Para se evitar isso, a colheita manual cuidadosa também é muito importante.

O vinho espumante mais famoso do mundo é o produzido na região de Champagne, na França. Esta região conta com cerca de 300 produtores, produzindo anualmente mais de 250 milhões de garrafas.

Outros espumantes famosos são a Cave, da Espanha e o Prosecco, na Itália. O Brasil também vem se destacando na produção de espumantes e se não chega a ameaçar o champagne francês, já estamos nos igualando ou até superado em qualidade os espanhóis e italianos.

História

O espumante foi desenvolvido pela primeira vez na região de Champagne no século XVIII e sua invenção foi atribuída ao monge beneditino Dom Perignon. Foi o monge que descobriu o controle da dupla fermentação, que foi aperfeiçoada posteriormente pela Madame Nicole Ponsardin, a famosa veuve da Maison Clicquot.

Dom Perignon

Estátua de Dom Perignon, o inventor do Champagne

O desenvolvimento do espumante se beneficiou de duas importantes invenções da vinificação do século XVII: a invenção da rolha e da garrafa de vinho. A rolha e da garrafa de vidro permitiram a construção de uma embalagem impermeável e robusta para o vinho, capaz de segurar a pressão que o gás carbônico produzia.

As garrafas de espumante são mais robustas do que as dos demais vinhos, justamente para que possam aguentar essa pressão sem causar explosões, que eram frequentes no início da produção do espumante.

Métodos de vinificação

Existem diversos métodos de produção do espumante, mas os dois mais importantes são os seguintes:

Champenoise – Este é o método utilizado em toda a região de Champagne, também conhecido como método tradicional ou fermentado na garrafa. Neste método a segunda fermentação é produzida na própria garrafa que vai ser vendida ao consumidor final. Este é o processo mais caro, mas com que se produz os melhores espumantes do mundo.

Charmat – É um método desenvolvido por Eugène Charmat em 1907. Neste método a segunda fermentação é produzida em grandes tanques capazes de suportar a pressão produzidos pelo gás carbônico. Trata-se de um processo mais barato. Com esse método normalmente utilizam-se de uvas mais baratas, como Chenin Blanc e French Colombard.

Quem pode utilizar o termo champagne

O uso da palavra champagne no rótulos de uma garrafa tem sido motivo de disputas e acordos judiciais no mundo todo.

Em princípio, somente podem ostentar o termo Champagne no rótulo os vinhos produzidos na região de Champagne, na França. No entanto, era muito comum produtores da California, por exemplo, utilizarem a expressão “champagne da california”ou algo similar em seus rótulos

Em 2006 os Estados Unidos fecharam um acordo com a União Européia, onde ficou definido que os produtores que tradicionalmente usavam essas expressões em seus rótulos poderiam continuar sua utilização, mas para novos produtores isso não mais seria permitido.

Assim, de modo geral, o espumante produzido em outros lugares que não a região de Champagne podem ostentar em seus rótulos que o seu espumante é produzido pelo método tradicional, quando este é produzido pelo método champenoise ou método do champagne.

Leia também:

Pequena História do Vinho III: Do Século XII ao Surgimento do Champagne

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>