Pequena História do Vinho III – Do Século XII ao Surgimento do Champagne

Do Século XII à era Moderna

A Igreja herdou dos nobres muitas terras com vinhedos e ela por sua vez cuidou muito bem deles. Alguns dos melhores vinhedos da Franca, Alemanha, Itália e Espanha tiveram origem em plantações monásticas. Por volta de 1.300 monges cistercienses ampliaram os vinhedos na Borgonha e na região do Vale do Rhône. Eles foram talvez os primeiros a plantar a uva Chardonnay na região de Chablis, dando origem a este famoso e tão apreciado branco da Borgonha.

O casamento de Henrique II e Eleanor de Aquitânia em 1.152 teve importante impacto para a história do vinho, pois colocou a região de Bordeaux sob domínio inglês por cerca de 300 anos. O filho de Henrique II, Ricardo Coração de Leão, montou sua base na região e apossou-se de seu vinho.

Logo os ingleses se tornam os maiores consumidores de vinhos desta região, sendo que em 1390 eles respondiam por cerca de 80% da exportação de Bordeaux. A cobiça dos ingleses pela regiões vinícolas francesas foram um dos fatores que levaram à guerras que duraram quase três séculos, incluindo a Guerra dos Cem Anos, que resultou finalmente na expulsão dos ingleses dos vinhedos franceses em 1453.

Com a derrota, os ingleses passaram a se interessar pelos vinhos da Alemanha, Itália, Portugal e Espanha, o que levou ao intensificação do comércio do vinho nessa região da Europa.

rolhas

Rolhas de cortiça

Com a reforma religiosa que se seguiu ao período do Renascimento, a Igreja perdeu muitas de suas propriedades vinícolas, que passaram a serem propriedades privadas, dando origem aos vinhedos atuais.

No início do século XVIII aconteceram melhorias na fabricação do vidro e consolidação da rolha para utilizada para vedação do vinhos. A rolha, com suas propriedades de vedação revolucionou o armazenamento e o envelhecimento do vinho. Isto permitiu o desenvolvimento do comércio,pois garrafas bem vedadas permitiam o transporte para lugares bem mais distantes, como as colônias européias.

O Surgimento do Champagne

Dom Pérignon

O monge beneditino Dom Péignon, o pai do Champagne

Neste período também se deu o desenvolvimento dos vinhos espumantes ou champangne, que também se beneficiaram do desenvolvimento do vidro e da rolha, pois este tipo de vinho necessita de garrafas mais resistentes e uma vedação mais eficiente.

O desenvolvimento do champagne é atribuído a Don Pérignon, um monge beneditino e que empresta seu nome ao vinho mais cultuado desta região. Na verdade, o monge queira evitar as borbulhas do vinho e a descoberta do champagne foi por acaso. Outros produtores desenvolveram as técnicas de vinificação do champagne, mas como o monge sintetizou suas normas de cultivo e de vinificação em 1.718, ficou conhecido como o pai de Champagne.

O champagne logo se tornou a moda nos círculos aristocráticos da Europa, na Rússia e nas colônias da Europa nas Américas e na África.

Fontes: Henderson & Dellie, Sobre Vinhos, Cengage, 2012.; Vinhos do Mundo Todo, Zahar Ed., 2006; Revista Adega, edição 100, editora Inner.

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