Pequena História do Vinho IV – A Era de Ouro

Novos desenvolvimentos na produção e comercialização do vinho

Os séculos XVIII e XIX foram de de grandes desenvolvimentos para a indústria e comercialização do vinho. A invenção da rolha e do vidro permitiram que este fosse armazenado por longo tempo e transportado para grandes distâncias, intensificando assim o comércio.

Os avanços na química e na microbiologia provocou uma verdadeira revolução na viticultura, impulsionando o aumento na qualidade dos vinhos. Foram aperfeiçoadas nesse época técnicas de vinificação de vinhos doces, espumantes e fortificados.

Foram neste período também que o cultivo do vinho foi expandido para lugares longe da Europa, como a África e as Américas.

Mas foi no século XIX que o vinho sofreu seu maior avanço e seus golpes mais avassaladores.

Atraídos pelo prestigio que o vinho adquiriu nesta época, famílias abastadas começaram a adquirir propriedades e a colocar os seus nomes nos rótulos dos vinhos, se associando diretamente ao vinho produzidos em suas terras. Nasce aí a cultura de apreciação do vinho como conhecemos hoje.

A introdução da classificação na França.

Chateau Palmer

Château Palmer, na região de Medoc, Bordeaux

A França lançou em 1855 a primeira classificação de de seus vinhedos, com a famosa classificação de Bordeaux, envolvendo a península de Medoc e dos vinhos doces de Sauternes. Esta classificação permanece até hoje, com uma única alteração em 1973, para a inclusão do Châteu Mouton-Rothschild no topo da classificação.

Esta primeira classificação foi baseada nos vinhos mais vendidos na época, mas acabou por consolidar o prestígio da denominação Châteu em Bordeaux, que passou assim a ser sinônimo de qualidade. Isto foi reforçado também pelo fato de que a primeira metade do século XIX propiciou safras esplêndidas, o que deixou este período conhecido como a era de ouro do vinho.

A praga da Filoxera

Filoxera

Folha de parreira infectada pela filoxera

Mas se a primeira metade do século XIX foi de galmour e prosperidade para o vinho, a segundo metade foi marcada por um acontecimento que quase destruiu por completo o cultivo do vinho na Europa. Este acontecimento ficou conhecido como a praga da filoxera.

A filoxera é um inseto pequeno, sugador de seiva, que se alimenta nas raízes e nas folhas do vinhedo. Apareceu pela primeira vez no Sul da França em 1868, trazido dos Estados Unidos, onde este existia nos vinhedos americanos mas não produzia danos, pois as espécies de uvas americanas eram resistentes à essa praga.

Em vinte anos esta praga destruiu quase todos os vinhedos da França, se alastrando em seguida pela Alemanha, Espanha, Itália, Grécia e outras regiões da Europa. Em algumas regiões, muitos vinhedos não foram mais reimplantados e muitas variedades de uvas desaparecem por completo na Europa. A praga somente foi dominada com a introdução de enxertos de uvas americanas resistentes aos danos do inseto nas cepas européias.

O século também foi marcado por mudanças de europeus para o Novo Mundo, trazendo técnicas da Europa para o novo mundo, que juntos com as técnicas locais, provocaram inovações na produção do vinho. Esta evolução se consolidou ao longo do século XX e alterou por completo o panorama do vinho no mundo.

Fontes: Henderson & Dellie, Sobre Vinhos, Cengage, 2012.; Vinhos do Mundo Todo, Zahar Ed., 2006.

Veja também:

Pequena História do Vinho III: Do Século XII ao Surgimento do Champagne

 

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