Por que Alguns Vinhos Chegam a Custar Uma Verdadeira Fortuna?

Uma das coisas que mais chamam atenção e fascinam às pessoas que começam a se interessar por vinhos são os preços de alguns deles. Garrafas de ícones como Château Petrus e Romanée-Conti passam facilmente de R$ 15 mil reais aqui no Brasil. E não pense que lá fora é muito diferente. Se você tiver oportunidade de visitar, por exemplo, a Bordeuxtheque, nas Galeries Lafayette, em Paris, você certamente ficará impressionado com os preços, alguns chegando a custar mais de 30 mil euros.

Preços em ascensão

Screaming Eagle

Rótulo do vinho californiano Screaming Eagle

Na verdade, nas últimas décadas houve uma verdadeira inflação no preço dos vinhos no mercado mundial. Vinho californianos, como os Screaming Eagle, atingiram altíssimos preços e mesmos os vinhos do Novo Mundo tiveram elevação significativa de preços. Até alguns anos atrás, vinhos como o argentino Nicolás Catena e o chileno Don Melchor era considerados caros e custavam em torno de R$ 300 reais. Hoje é muito comum rótulos desses países ultrapassarem facilmente R$ 600 reais.

Até mesmo no Brasil está se tornando comum encontrar vinhos que ultrapassam mais de 200 reais, principalmente nos chamados vinhos de boutique, ou seja, vinhos de pequenas vinícolas de cultivo manual e pequena produção.

Fatores de Mercado que Influenciam nos Preços

A pergunta que se faz então é por que este vinhos custam tanto e se eles valem tudo isso. Se vale ou não é uma outra questão, mas a elevação dos preços pode ser explicada por condições de mercado. Há muitos fatores que influem no preço do vinho e aqui listamos algumas que julgamos mais importantes.

Cuidados na produção - produzir vinhos de qualidade custa caro. Muito das vinícolas  utilizam técnicas especiais de cultivo e de vinificação, como limite de parreira plantada por hectare, poda manual das parreiras, corte de cachos manuais, limite de do quantidade de cachos por parreira, etc. Estes procedimentos tendem a aumentar a qualidade do vinho, mas encarecem a produção.

Safras historicamente boas – algumas safras resultam em vinhos melhores do que as outras e os vinhos resultantes destas safras tem seus preços aumentados como conseqüência. Isto é particularmente verdadeiro para os vinhos produzidos no Velho Mundo. As safras de Bordeaux de 2008 e 2009, por exemplo, foram consideradas excepcionais e a procura por seus vinhos disparou. É difícil achar vinhos top dessas safras até mesmo em lojas na França e quando se encontra, são caríssimos.

Crítica – atualmente críticos famosos como Robert Parker, Jancis Robinson e os críticos de revistas como Wine Spectator exercem muito influência no comércio de vinhos. Aqueles que recebem altísimas notas de Parker ou da Wine Spectator são muito valorizados no mercado.

Exclusividade – Alguns dos grandes vinhos californianos são produzidos para clubes fechados e conseguir uma garrafa é quase uma tarefa impossível, quando não se é membro de um desses clubes. Quando estes vinhos chegam nas mãos dos críticos e alcançam pontuação elevada, eles passam a ser objeto de desejo dos colecionadores do mundo todo.

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Uma garrafa de Romannée-Conti, o mítico vinho da Borgonha

Produção limitada - alguns vinhos tem produção limitada, o que torna a sua aquisição muito disputada pelos colecionadores, como é o caso dos grandes vinhos da Borgonha, famosos e de pequenas propriedades. É bastante comum também as grandes vinícolas produzirem vinhos com produção limitada, com seleção rigorosa de uvas de determinadas safras. O português Barca Velha, da Casa Ferreirinha, só é produzidos em anos de safra excepcional.

Prestígio do produtor – alguns vinhos com o tempo viraram ícones, como é o caso do Romannée-Conti, Château Lafite-Rothschild e o doce Château d’Yquem e, portanto, seus preços tendem a refletir o prestígio que estes vinhos alcançaram ao longo do tempo.

Modelo de comercialização – Os grandes vinhos de Bordeux são vendidos no mercado futuro, prática conhecida setor como en primeur, geralmente venda com dois anos de antecedência e com o vinho ainda nos barris das vinícolas. Ou seja, quando eles vão para o mercado, já estão com a produção completamente vendida. Se houver aumento da demanda, isto se refletirá diretamente no preço, pois não tem como aumentar a produção.

Demanda de mercados emergentes – a ascensão dos mercados emergentes aumentou a demanda por vinhos de qualidade, principalmente dos franceses de Bordeaux e Borgonha, e a conseqüência disso foi a elevação geral nos preços. A demanda vinda da China por vinhos de qualidade tem sido um dos fatores mais importantes na elevação nos preços dos vinhos nos últimos anos.

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