A Importância do Terroir

O conceito de terroir

Vinhedo Portugal

Vinhedo em torno do Castelo de Valongo, no Alentejo, Portugal

Terroir é uma palavra francesa que não possui uma correspondente exata em outra língua, mas que, em linhas gerais, descreve todos os fatores ambientais que influenciam determinado vinhedo. Não diz respeito apenas ao solo, pois as condições climáticas contam mais do que este.

O termo pode ser entendido, se certa forma, holisticamente, pois abarca tanto as propriedades do solo, como a composição, drenagem, conteúdo mineral, topografia e direção do declive, como também as condições climáticas, tais como precipitação pluviométrica, temperatura, predominância de ventos e umidade.

Está implícito também neste conceito a forma como se combina a escolha de variedades de cepas e o manejo do vinhedo para satisfazer o terroir. Ou seja, não basta um bom solo e ótimo clima para se produzir um grande vinho, mas a forma como o ser humano maneja tudo isto é muito importante também. Aqui a cultura regional desempenha um papel muito importante, contribuindo de forma decisiva para a identidade própria do vinho de cada região particular.

A importância do terroir no velho e no novo mundo

Com o advento da globalização do cultivo e comércio do vinho, bem como do aparecimento de novos países produtores no mercado vinícola mundial, o conceito de terroir passou a ser questionado por muita gente. Os países do chamado Novo Mundo passaram a lançar mão de modernas técnicas de cultivo, como a irrigação mecânica, por exemplo, que deixaram as safras menos dependentes dos humores erráticos do clima, tornando estas mais homogêneas do que as do Velho Mundo, onde safras de anos excepcionais não raros são seguidas por safras medíocres. Estas técnicas permitem também que uvas que eram cultivadas em climas específicos passassem a ser cultivadas em região de climas totalmente diversos.

Vinhedo na Borgonha

Vinhedo em torno de um velho vilarejo na Borgonha, França

Alguns críticos lamentam esta nova realidade, pois dizem que isto traz uma descaracterização do vinho, tornando este um produto padronizado mundialmente, tirando assim uma de suas características mais interessantes, que é a diversidade de gostos, que reflete a cultura particular de cada região produtora.

O fato é que a despeito disso, esta padronização não está ocorrendo da forma como previam estes críticos mais pessimistas. É verdade que em algumas regiões da Europa alguns produtores estão dando prioridade a castas internacionais como Cabernet Sauvignon e Chadornnay em detrimento de castas regionais, mas não passa pela cabeça de ninguém que a Borgonha deixará sua milenar cultura de lado, tão valorizada no mercado internacional, para aderir às novas técnicas de cultivo.

Também no Novo Mundo hoje está se formando uma nova mentalidade, onde cada vez mais produtores estão buscando encontrar quais as uvas que melhor se adaptam ao solo e clima de cada região. Assim, algumas uvas se sobressaem aos poucos e se tornam aos poucos a expressão de cada região, como a Malbec na Argentina, a Carmenere no Chile, a Tannat no Uruguai, só para ficarmos com exemplos da América do Sul.

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