A Caprichosa Pinot Noir

 A Casta

A Pinot Noir é uma uva caprichosa, que só produz grandes vinhos em poucas regiões do mundo, ao contrário da Cabernet Sauvignon e da Merlot, que são consideradas castas internacionais, pela fácil adaptação à diferentes climas.

O habitat natural da Pinot Noir é a Borgonha, onde produz os grandes vinhos dessa região, famosos no mundo inteiro e de preços estratosféricos. São exemplos os vinhos  produzidos nas appellations Vosne-Romanée, Pommard, Corton, Clos Vougeot, Romanée-Conti, La Tache, entre outras.

A Pinot Noir possui uma casca mais fina e contêm menos semente do que que a Cabertnet Sauvignon ou Merlot e, por causa disso, produz um vinho mais claro e com menos taninos. São vinhos mais elegantes que potentes, estando entre os vinhos mais elegantes do mundo.

Pinot Noir

Cacho de Pinot Noir

O fato de possuir cascas finas torna a uva mais propícia a ser atacada pelos fungos da podridão. É uma uva que se adapta melhor a solos bem drenados e climas frios.

Se a poda não for efetuada para diminuir a produtividade por hectare, o vinho resultante pode ser aquoso e inexpressivo. Por causa disso, grandes safras são menos numerosas do que com outras uvas, o que encarece a produção.

Características do Vinho Produzido com Pinot Noir

A Pinot Noir raramente é misturada com outras uvas, sendo que na Borgonha ela é a única uva utilizada. Uma excessão a isso acontece na região de Champagne, onde ela entra na composição com outras uvas para produzir o espumante mais famoso do mundo.

Os vinhos produzidos com Pinot Noir são vinhos medianamente encorpados e mais doces no paladar. No entanto, grandes produtores da Borgonha utilizam técnicas sofisticadas de vinificação, de forma a produzir vinhos mais encorpados e que resistem melhor ao tempo.

Normalmente, é um vinho que pode ser desfrutado desde cedo. Quando jovens lembram framboesa madura, especiarias doces e geléias de ameixa. Envelhecidos, temem a apresentar um bouquet complexo e repleto de nuances.

Regiões Produtoras

Grandes esforços tem sido feitos para cultivar a Pinot Noir fora de seu habitat natural, com resultados muito diferentes.

Na Europa a Pinot Noir é bastante cultivada na Alemanha e na Alsácia, embora produzindo vinhos nessas regiões sem muito destaque no mercado internacional.

Na América do Sul se tem conseguido produzir bons vinhos com a Pinto Noir no Chile. Na Nova Zelândia já se produz vinhos excelentes com essa uva. Melhores resultados se conseguiu na California e no Oregon, onde se conseguiu produzir vinhos de alto nível. No entanto, em nenhuma dessas regiões se atingem os patamares obtidos na Borgonha.

O Que Escolher

Os grandes vinhos da Borgonha estão fora do alcance do consumidor médio de vinho, devido aos elevados preços que possuem no mercado mundial. No entanto, pode-se experimentar bons vinhos desta uva oriundos de appellations menos famosas.

Por exemplo, bons vinho não muito caros podem ser encontrados nas regiões de Hautes Côtes de Nuits e de Beaune. Nestas regiões, é mais seguro escolher vinhos pela reputação de bons produtores do que pelo nome da Appellation.

Outra opção são os vinhos do novo mundo, que são até mais confiáveis do que os franceses, pois possuem safras mais homogêneas do que as da Borgonha, mas raramente atingem o mesmo patamar dessa famosa região.

 

Chardonnay, a Mais Versátil das Uvas Brancas

Uva Chardonnay

Cachos de uvas Chardonnay prontas para a colheita

A Chardonnay é uma uva originária da região da Borgonha, na França. É a equivalente branca da Cabernet Sauvignon, pois como esta é também uma uva muito versátil, adaptando-se a vários tipos de solo ao longo do mundo, mas mantendo suas características básicas.

É cultivada tanto em clima frio quanto quente. Sua cepa se adapta a todo tipo de clima, donde sua popularidade. No entanto, ela dará vinhos mais secos e com acentos minerais em um clima frio e com aromas de frutas em um clima mais quente.

O método de produção utilizado também influi, pois pode-se ter um corpo que varia entre fresco e ácido, como na região de Chablis e até untuoso e de sabor amanteigado, como na California.

O seu caráter aromático recende geralmente a limão, maçã verde e pera. No paladar temos freqüentemente limão, limão verde, maçã, amêndoa fresca e pera.

Os melhores vinhos com a uva Chardonnay são produzidos na Borgonha e quase todo borgonha branco é produzido com esta uva. No entanto, produz-se também excelentes vinhos com Chardonnay na Califórnia, no Chile, na Argentina, na África do Sul e na Austrália.

Os vinhos produzidos com esta uva podem assumir características distintas, dependendo se passam ou não por barris de carvalho. Os que não estagiam em barris de carvalho são mais leves e mais secos. São ótimos com ostras ou frutos do mar.

Vinhedo de Chardonnay

Plantação de uva Chardonnay em Meursault, no departamento de Cotê d`Or.

Já os que estagiam em barris de carvalho são vinhos mais encorpados, com bastante estrutura, chegando a lembrar um vinho tinto leve. O estágio em barris de carvalho também adiciona notas de torrada, avelã, baunilha e de manteiga ao vinho. Acompanha bem carnes brancas e peixes e, por causa de sua estrutura, também podem acompanhar carnes vermelhas mais leves. Neste caso, a temperatura de serviço deve girar por volta de 13° ou 14°, a mesma sugerida para um tinto leve.

A Chardonnay tende a produzir muitos cacho por videira, razão pela qual é necessária a poda para não comprometer a qualidade. As cascas são finas e por isso são mais suscetíveis a mofos, bolor e vários outros tipos de doenças.

Trata-se, com certeza, de uma das uvas mais importantes no mundo do vinho. É com ela que se produz os grandes vinhos secos do mundo. E também os mais caros. É igualmente utilizada na produção dos grandes champagnes.

Pequena História do Vinho III – Do Século XII ao Surgimento do Champagne

Do Século XII à era Moderna

A Igreja herdou dos nobres muitas terras com vinhedos e ela por sua vez cuidou muito bem deles. Alguns dos melhores vinhedos da Franca, Alemanha, Itália e Espanha tiveram origem em plantações monásticas. Por volta de 1.300 monges cistercienses ampliaram os vinhedos na Borgonha e na região do Vale do Rhône. Eles foram talvez os primeiros a plantar a uva Chardonnay na região de Chablis, dando origem a este famoso e tão apreciado branco da Borgonha.

O casamento de Henrique II e Eleanor de Aquitânia em 1.152 teve importante impacto para a história do vinho, pois colocou a região de Bordeaux sob domínio inglês por cerca de 300 anos. O filho de Henrique II, Ricardo Coração de Leão, montou sua base na região e apossou-se de seu vinho.

Logo os ingleses se tornam os maiores consumidores de vinhos desta região, sendo que em 1390 eles respondiam por cerca de 80% da exportação de Bordeaux. A cobiça dos ingleses pela regiões vinícolas francesas foram um dos fatores que levaram à guerras que duraram quase três séculos, incluindo a Guerra dos Cem Anos, que resultou finalmente na expulsão dos ingleses dos vinhedos franceses em 1453.

Com a derrota, os ingleses passaram a se interessar pelos vinhos da Alemanha, Itália, Portugal e Espanha, o que levou ao intensificação do comércio do vinho nessa região da Europa.

rolhas

Rolhas de cortiça

Com a reforma religiosa que se seguiu ao período do Renascimento, a Igreja perdeu muitas de suas propriedades vinícolas, que passaram a serem propriedades privadas, dando origem aos vinhedos atuais.

No início do século XVIII aconteceram melhorias na fabricação do vidro e consolidação da rolha para utilizada para vedação do vinhos. A rolha, com suas propriedades de vedação revolucionou o armazenamento e o envelhecimento do vinho. Isto permitiu o desenvolvimento do comércio,pois garrafas bem vedadas permitiam o transporte para lugares bem mais distantes, como as colônias européias.

O Surgimento do Champagne

Dom Pérignon

O monge beneditino Dom Péignon, o pai do Champagne

Neste período também se deu o desenvolvimento dos vinhos espumantes ou champangne, que também se beneficiaram do desenvolvimento do vidro e da rolha, pois este tipo de vinho necessita de garrafas mais resistentes e uma vedação mais eficiente.

O desenvolvimento do champagne é atribuído a Don Pérignon, um monge beneditino e que empresta seu nome ao vinho mais cultuado desta região. Na verdade, o monge queira evitar as borbulhas do vinho e a descoberta do champagne foi por acaso. Outros produtores desenvolveram as técnicas de vinificação do champagne, mas como o monge sintetizou suas normas de cultivo e de vinificação em 1.718, ficou conhecido como o pai de Champagne.

O champagne logo se tornou a moda nos círculos aristocráticos da Europa, na Rússia e nas colônias da Europa nas Américas e na África.

Fontes: Henderson & Dellie, Sobre Vinhos, Cengage, 2012.; Vinhos do Mundo Todo, Zahar Ed., 2006; Revista Adega, edição 100, editora Inner.

Por que Alguns Vinhos Chegam a Custar Uma Verdadeira Fortuna?

Uma das coisas que mais chamam atenção e fascinam às pessoas que começam a se interessar por vinhos são os preços de alguns deles. Garrafas de ícones como Château Petrus e Romanée-Conti passam facilmente de R$ 15 mil reais aqui no Brasil. E não pense que lá fora é muito diferente. Se você tiver oportunidade de visitar, por exemplo, a Bordeuxtheque, nas Galeries Lafayette, em Paris, você certamente ficará impressionado com os preços, alguns chegando a custar mais de 30 mil euros.

Preços em ascensão

Screaming Eagle

Rótulo do vinho californiano Screaming Eagle

Na verdade, nas últimas décadas houve uma verdadeira inflação no preço dos vinhos no mercado mundial. Vinho californianos, como os Screaming Eagle, atingiram altíssimos preços e mesmos os vinhos do Novo Mundo tiveram elevação significativa de preços. Até alguns anos atrás, vinhos como o argentino Nicolás Catena e o chileno Don Melchor era considerados caros e custavam em torno de R$ 300 reais. Hoje é muito comum rótulos desses países ultrapassarem facilmente R$ 600 reais.

Até mesmo no Brasil está se tornando comum encontrar vinhos que ultrapassam mais de 200 reais, principalmente nos chamados vinhos de boutique, ou seja, vinhos de pequenas vinícolas de cultivo manual e pequena produção.

Fatores de Mercado que Influenciam nos Preços

A pergunta que se faz então é por que este vinhos custam tanto e se eles valem tudo isso. Se vale ou não é uma outra questão, mas a elevação dos preços pode ser explicada por condições de mercado. Há muitos fatores que influem no preço do vinho e aqui listamos algumas que julgamos mais importantes.

Cuidados na produção - produzir vinhos de qualidade custa caro. Muito das vinícolas  utilizam técnicas especiais de cultivo e de vinificação, como limite de parreira plantada por hectare, poda manual das parreiras, corte de cachos manuais, limite de do quantidade de cachos por parreira, etc. Estes procedimentos tendem a aumentar a qualidade do vinho, mas encarecem a produção.

Safras historicamente boas – algumas safras resultam em vinhos melhores do que as outras e os vinhos resultantes destas safras tem seus preços aumentados como conseqüência. Isto é particularmente verdadeiro para os vinhos produzidos no Velho Mundo. As safras de Bordeaux de 2008 e 2009, por exemplo, foram consideradas excepcionais e a procura por seus vinhos disparou. É difícil achar vinhos top dessas safras até mesmo em lojas na França e quando se encontra, são caríssimos.

Crítica – atualmente críticos famosos como Robert Parker, Jancis Robinson e os críticos de revistas como Wine Spectator exercem muito influência no comércio de vinhos. Aqueles que recebem altísimas notas de Parker ou da Wine Spectator são muito valorizados no mercado.

Exclusividade – Alguns dos grandes vinhos californianos são produzidos para clubes fechados e conseguir uma garrafa é quase uma tarefa impossível, quando não se é membro de um desses clubes. Quando estes vinhos chegam nas mãos dos críticos e alcançam pontuação elevada, eles passam a ser objeto de desejo dos colecionadores do mundo todo.

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Uma garrafa de Romannée-Conti, o mítico vinho da Borgonha

Produção limitada - alguns vinhos tem produção limitada, o que torna a sua aquisição muito disputada pelos colecionadores, como é o caso dos grandes vinhos da Borgonha, famosos e de pequenas propriedades. É bastante comum também as grandes vinícolas produzirem vinhos com produção limitada, com seleção rigorosa de uvas de determinadas safras. O português Barca Velha, da Casa Ferreirinha, só é produzidos em anos de safra excepcional.

Prestígio do produtor – alguns vinhos com o tempo viraram ícones, como é o caso do Romannée-Conti, Château Lafite-Rothschild e o doce Château d’Yquem e, portanto, seus preços tendem a refletir o prestígio que estes vinhos alcançaram ao longo do tempo.

Modelo de comercialização – Os grandes vinhos de Bordeux são vendidos no mercado futuro, prática conhecida setor como en primeur, geralmente venda com dois anos de antecedência e com o vinho ainda nos barris das vinícolas. Ou seja, quando eles vão para o mercado, já estão com a produção completamente vendida. Se houver aumento da demanda, isto se refletirá diretamente no preço, pois não tem como aumentar a produção.

Demanda de mercados emergentes – a ascensão dos mercados emergentes aumentou a demanda por vinhos de qualidade, principalmente dos franceses de Bordeaux e Borgonha, e a conseqüência disso foi a elevação geral nos preços. A demanda vinda da China por vinhos de qualidade tem sido um dos fatores mais importantes na elevação nos preços dos vinhos nos últimos anos.