Grandes Vinhos: Châteauneuf-du-Pape

Origem Histórica

Châteauneuf-du-Pape, ou Novo Castelo do Papa em português, é a mais célebre denominação vinícola do sul do Rhône, na França. O Châteauneuf-du-Pape era o palácio de verão dos Papas e foi construído no século XIV. Hoje dele só restam ruínas, pois foi destruído no final da Segunda Guerra Mundial.

A denominação teve sua origem na época da mudança da sede do papado de Roma para Avignon, na França, no reinado de Felipe, o Belo. O vinho que era produzido na redondezas do castelo ficou conhecido por este nome. Foi o primeiro vinho francês a ter sua produção regulamentada por uma legislação específica, implementada em 1923.

A Denominação

É uma grande denominação, com 3.150 hectare e que produz mais de 1 milhão de caixas por ano. Apesar deste grande volume de produção, os padrões são bastante elevados, mas também existem vinhos não tão bons produzidos com essa denominação.

Para ostentar o nome da denominação na garrafa, a produtividade tem de ser baixa, com rendimento de no máximo de 3,3 mil litros por hectare, teor mínimo de álcool de 12,5% e utilização da técnica de seleção de uvas chamadas triagem, onde pelo menos 5% das uvas são rejeitadas antes da fermentação, por serem imaturas, maduras demais ou apresentarem doenças.

Composição e Característica

Garrafas Chateauneu du Pape

Garrafas de vinhos da denominação Chateauneu-du-Pape

Na composição de sua produção pode ser utilizada até 13 tipos de uvas, mas normalmente utiliza-se uma quantidade menor, podendo ser produzido somente com uma, geralmente a Grenache, respondendo normalmente por 50% a 70% da composição. Outras uvas bastantes utilizadas são a Syrah, a Mourvèdre e a Cinsault. Algumas cepas brancas são também utilizadas, como a Grenache Blanc e a Roussane.

O resultado final depende mais do capricho e do know how do produtor do que a variedade da uva utilizada na produção.

Os vinhedos, por sua vez, são normalmente auto-suficientes: produzem as uvas e engarrafam na mesma propriedade. Quando isso acontece, os vinhos produzidos apresentam o brasão papal na garrafa, um pouco acima do rótulo. Este é um sinal de qualidade, mas existe vinhos sem brasão que podem até ser melhores do que alguns que o possuem.

Como característica, é um vinho tinto encorpado, com alto teor alcóolico, de cor escura e possui um buquê que lembra amora, figo, canela, cravo, alcatrão, café e cedro. É normalmente redondo e pode envelhecer por décadas na garrafa.

Embora a predominância da produção seja de vinho tinto, cerca de 97%, a demanda por vinho branco tem aumentado nos últimos anos.

Uma maneira segura de comprar um bom Châteuneuf-du-Pape é escolher entre bons produtores. Entre os melhores produtores podemos citar: Château Fortia, Château de Beaucastel, Chante-Perdrix, Château la Nerthe e Domain de Mont-Redon e Clos dês Papes.

 

Pequena História do Vinho II – Império Romano e Idade Média

Época Romana

A era do Império Romano aprimorou o cultivo do vinho e elevou o seu consumo a outro patamar, espalhando pelos domínios do Império.

Foi nesse período que surgiram os primeiros tanoeiros,  construtores  de barris de madeira . Estes já eram utilizados para armazenar e transportar o vinho, da mesma forma como ainda é utilizado pelos produtores atuais. A colocação do vinho em ânforas de cerâmica também era comum, mas posteriormente foram suplantadas pelos barris de madeira.

Ânfora Romana

Ânfora Romana

vitivinicultura,  cultivo da vinha e a produção de vinhos, teve  inúmeros avanços. Por exemplo, o uso da treliça para suspender as videiras do solo foi implementado com grande sucesso. O conhecimento técnico do vinho dos romanos  serviu de base para assentar os fundamentos do cultivo atual.

Com a  expansão do Império Romano, o vinho também se espalhou  para a Itália, Alemanha, Espanha e França. Foram os romanos que introduziram a viticultura na região de Bordeaux no século I d.C..

A importância da cultura do vinho no Império Romano pode ser deduzida pelos registros do culto ao deus Baco, deus do vinho romano. Eram comuns festas regadas com esta bebida, que se transformavam em verdadeiros bacanais. O caráter libertino deste culto levou à sua proibição pelo Imperador Romano em 186 d.C..

O vinho desempenhou também um papel importante no judaísmo e no início do cristianismo, conforme refletidos nos seus cultos. No judaísmo o vinho sempre foi parte importante nas celebrações religiosas, como as do casamento e da Páscoa, o que pode ser comprovado nos registros do Velho Testamento na Bíblia. No caso do Cristianismo, o vinho foi introduzido na Eucaristia Cristão por volta de 300 d.C..

A queda do Império Romano teve reflexo no comércio do vinho, com a quebra das rotas comerciais por onde escoavam a produção. No entanto, a Igreja manteve a viticultura viva, com seu cultivo  feito basicamente nos mosteiros, embora o mesmo não fosse comercializado para fora destes.

Importante papel neste sentido desempenhou o Papa Gegório Magno, que incentivou as ordens monásticas a expandir a produção do vinho.

A Idade Média

A invasão dos mouros na Espanha teve conseqüências importantes para o cultivo do vinho. Este continuou nesta região, mas em menor escala. Os mouros, de fé muçulmana, não consumiam o vinho, mas toleravam o seu cultivo e consumo pelos espanhóis. No entanto, o Califa Ozman ordenou a destruição de grande parte dos vinhedos em Valença, na Espanha, por volta de 900 d.C., mas 300 anos depois a Espanha,  com o declínio do poder Mouro, recuperou seus vinhedos.

Ao Imperador Carlos Magno são atribuídas importantes medidas que tiveram impactos sobre a produção do vinho. Ele era um apaixonado por esta bebida e as leis que ele introduziu por volta de 800 d.C. referente ao plantio da uva e a vinicultura foram importantes para o desenvolvimento das regiões vinículas no norte da França e na Alemanha.

A região de Bordeaux foi objeto de disputa entre a França e a Inglaterra na Idade Média, que só terminou com o final da Guerra dos Cem Anos, onde a região passou a ser definitivamente pertencente à França. Mas o comércio com os ingleses prosperou, sendo que estes se tornaram os principais clientes dos vinhos produzidos nessa região.

Os padres da Igreja contribuíram para o avanço do estudo da viticultura e da enologia. Em 1.308 o Papa  Clemente V instalou o papado em Avignon, permanecendo lá por 70 anos. O famoso vinho Chateauneuf du Pape teve sua origem aí.

Fontes: Henderson & Dellie, Sobre Vinhos, Cengage, 2012.; Vinhos do Mundo Todo, Zahar Ed., 2006; Revista Adega, edição 100, editora Inner.