Rolha de cortiça x Sintética: Qual a Melhor?

Abrindo um vinho

Garçom abrindo e servindo vinho em um restaurante

A rolha de cortiça foi uma das invenções que mais contribui para o desenvolvimento do comércio do vinho, pois a vedação proporcionada por esta permitiu que o vinho fosse armazenado com segurança por longo tempo e pudesse ser assim transportado para grandes distancias, o que deu um grande impulso ao comércio do vinho.

A cortiça é feita da casca da árvore chamada sobreiro, que cresce principalmente na Península Ibérica e no Norte da África, sendo que Portugal que é atualmente o maior produtor de cortiça do mundo.

Com a globalização da produção e do comércio do vinho, os produtores de vinho do Novo Muno desenvolveram rolhas sintéticas, que passaram a substituir a rolhas tradicionais de cortiça.

Isto provocou uma controvérsia no mundo do vinho, pois os tradicionalistas consideram o seu uso como uma afronta à tradição, pois a retirada da rolha já faz parte do ritual do serviço vinho há séculos.

Tipos de rolhas

As rolhas foram se aperfeiçoando ao longo do tempo, e hoje temos basicamente os seguintes tipos de rolhas:

Rolha de cortiça maciça – é a que possui melhor qualidade e consequentemente, a mais cara, geralmente utilizadas em vinhos para serem guardados por longo tempo. Quanto mais longa, larga e elástica melhor.

Rolha de aglomerado de cortiça -São rolhas feitas de aglomerados de cortiça colada, que são de baixa inferior e, portanto, mais baratas. Algumas delas possuem tão baixa qualidade que podem inclusive afetar a qualidade do vinho, além de mal conserva-los. São normalmente aquelas rolhas que se quebram ou se esfarelam com facilidade quando são retiradas

Rolha de Champagne

Rolha de Champagne no formato de cogumelo

Rolha de champagne – As rolhas de Champagne, em forma de cogumelo, são feitas de modo especial, pois possuem aglomerados de cortiça por dentro, mas cobertas com Lâminas extras de cortiça em sua parte inferior. Já a parte de cima é coberta com cortiça maciça.

Rolha sintética – São rolhas feitas de material sintética, também mais baratas que as rolhas de cortiça maciça, são mais resistentes que as rolhas de aglomerado de cortiça e não provocam o bouchonné.

Tampa de rosca

Abrindo uma garrafa com tampa de rosca – screwcap

Tampa de rosca – conhecida como screwcap, não é exatamente uma rolha, mas uma tampa rosqueada de metal, que quando girada se rompe e a parte de cima pode ser retirada e depois recolocada, se for necessário.

Vantagens e Desvantagens

Os defensores das rolhas de cortiça alegam que estas são as mais apropriadas para o adequado envelhecimento do vinho, pois a porosidade da cortiça permite que o ar penetre aos poucos no vinho, contribuindo para o envelhecimento deste ao longo do tempo.

No entanto, a rolha de cortiça também apresentam desvantagens, pois estão sujeitas a estragarem com o tempo e com ela também o precioso vinho. É o efeito conhecido como bouchonné, isto é, um vinho com defeito, apresentando um cheiro desagradável e com gosto ruim. Este defeito é provocado por um componente químico chamado tricloroanisol ou TCA.

Qual o amante de vinho que não comprou um vinho caro, manteve mesmo guardado por anos e quando foi abrir o vinho estava estragado? Na verdade, estima-se que em torno de 3% dos vinhos são perdidos por causa de rolhas estragadas.

As rolhas sintéticas não apresentam esta desvantagem. Elas podem não ser adequadas para serem utilizadas em vinhos que vão ser guardados, mas como a imensa maioria dos vinhos produzidos hoje são destinado para serem consumidos jovens, isto não representa um problema.

Já as screwcap podem tirar um pouco do romantismo de se abrir um bom vinho , principalmente daquele champagne em um momento muito especial, mas são muito práticas para o consumo no dia a dia, com a vantagem que você pode facilmente fechar a garrafa novamente e guardar a sobra na geladeira ou adega para ser consumido mais tarde.

Bibliografia: Salem, Jezebel – Vinho: Dicionário Gastronômico com Suas Receitas. Editora Boccato, São Paulo, 2012. Revista Adega, Inner Editora, edição 41, março/2009.

Leia também:

Vinho: Quanto Mais Velho, Melhor?

Pequena História do Vinho III – Do Século XII ao Surgimento do Champagne

Duas Boas Introduções ao Mundo do Vinho

Vinho Sem Segredos. Patricio Tapia, Editora Planeta do Brasil, 2006, R$ 34,90. Introdução ao Mundo do Vinho. Ciro Lilla, Editora WMF Martins Fontes, 4ª Edição, 2013. R$ 32,00.

Introducao ao Mundo do Vinho

Capa do livro Introdução ao Mundo do Vinho, de Ciro Lilla

Estes são duas das melhores introduções ao mundo do vinho disponíveis no mercado para quem está querendo se aprofundar no assunto. São ambas bem escritas,informativas e, na verdade, se complementam uma a outra, pois têm enfoques diferentes.

O do Ciro Lilla, já na 4ª edição, foi o primeiro livro que li sobre vinhos quando estava começando a me interessar pelo assunto. Ciro Lilla é um conhecido empresário do mercado brasileiro, proprietário da importadora Mistral, a maior do Brasil na atualidade e com um dos maiores catálogos de vinhos da América Latina.

O livro faz um bom panorama do mundo do vinho, trazendo inicialmente um pouco de história desta bebida, noções preliminares e tipos de uvas. Em seguida vem o capítulo mais longo do livro, trazendo uma abordagem abrangente dos países produtores mais importantes. O livro traz ainda a descrição de alguns vinhos famosos, um pouco sobre harmonização, cuidados, conselhos e equipamentos e fecha com uma seção de perguntas e respostas sobre as questões mais comuns que as pessoas fazem quando estão começando a apreciar o vinho.

Enfim, trata-se de um livro fácil de ler, com informações objetiva para quem está começando e tem muitas dúvidas, e que são respondidas no livro por quem entende bastante do assunto.

Vinho Sem Segredos

Capa do livro Vinhos Sem Segredos, do crítico chileno Patricio Tapia

Já o livro de Patricio Tapia tem um foco bem distinto do de Ciro Lilla. Tapia, um famoso crítico chileno, é editor do site Planetavino.com, um dos sites de vinhos mais importantes do Chile. Tapia escreve para várias revistas internacionais de vinho, entre elas a Wine Spirit.

O livro tem um enfoque maior na produção e apreciação do vinho, descrevendo com mais detalhes as uvas, as técnica de plantio e de vinificação. O livro mostra também como devem ser feitas as degustações, conselhos de como servir o vinho, fazer a guarda do mesmo e o papel do sommelier.

O livro é bastante focado nos vinhos da América do Sul e a contrário do de Lilla, faz pouca menção aos vinhos europeus ou de outros países.

Fartamente ilustrado, certamente é também um bom livro para quem está começando.

Procurando Bons Vinhos a Preços Acessíveis

1.000 Grandes Vinhos

Capa do livro 1.000 Grandes Vinhos

1.000 Grandes Vinhos Que Não Custam uma Fortuna das Melhores Vinícolas do Mundo
Jim Gordon (org). São Paulo, Editora Globo, 2012, R$ 89,90.

Este é um livro diferente da maioria dos livros sobre vinhos disponíveis no mercado. Como seu título indica, ele tem a proposta de encontrar bons vinhos a preços acessíveis.

Com essa proposta em mente, seus autores pesquisaram no mundo todo vinhos com qualidade, sofisticação, autenticidade e caráter regional, de forma que o leitor possa apreciar o vinho plenamente sem estourar o orçamento.

Com os vinhos franceses, por exemplo, os autores concentraram suas buscas nos segundos rótulos dos grandes châteaux, que embora não tenham o prestígio dos rótulos principais, apresentam muitas das características deste grandes vinhos, por um preço muito mais em conta.

Na Borgonha, por sua vez, os autores procuraram vinícolas menos conhecidas, mas que residem próximas das mais famosas e com preços altíssimos. Aqui, a tese dos autores é que estes vinhos possuem algumas das complexidades do terroir que tornaram famosos os grandes vinhos da Borgonha. Isto é, claro, uma tese um pouco polêmica, pois muitos especialistas dizem que terrenos localizado um metro de distância de outro na Borgonha apresentam grandes diferenças de qualidade.

Já para os demais países da Europa e do Novo Mundo, a idéia foi encontrar grandes rótulos que não os top de cada vinícola ou então boas vinícolas menos conhecidas.

O livro tem uma boa cobertura global, contendo inclusive uma seção sobre o Brasil, com indicações de vinícolas como Miolo, Dall Pizzol e Perini.

Há também muitas informações sobre harmonização com vinhos de cada região, as principais uvas utilizadas na vinificação, dicas de degustação, serviço do vinho, etc.

O livro é bastante útil e serve como instrumento de consulta permanente e no caso do Brasil, grande parte dos vinhos indicados estão presentes no mercado brasileiro, trazidos pelas principais importadoras. Mas para saber isto é necessário fazer uma pesquisa na internet para verificar se o vinho interessado está disponível ou não.

Quanto à questão dos preços, o parâmetro dos autores é o mercado americano e muitos vinhos que eles consideram com bom custo benefício por lá não chegam aqui com preço acessível, devido as nossas condições tributários ou a política de preços do importador, onde um segundo vinho de um grande château pode custar cerca de mil reais. No entanto, nas pesquisas que fiz, a maioria das indicações custam entre 100 e 200 reais.

Livro: Sobre Vinhos – J. P. Henderson e Dellie Rex

Livro Sobre Vinhos

Sobre Vinhos – J. Patrick Henderson & Dellie Rex, ed. Cengage, tradução da segunda edição americana, 2012, R$ 189,00.

O lançamento deste livro demonstra o quanto o mercado de vinho está evoluindo no Brasil. Trata-se da tradução de um texto didático americano voltado para os cursos de gastronomia e de gestão em hotelaria, mas pela abrangência da cobertura, ele é útil para qualquer pessoa que goste de vinhos e que queira saber mais sobre o assunto.

O livro é dividido em 6 partes ou seções, sendo que a última está disponível somente no site da editora, que pode baixar os arquivos inserindo um código que consta no livro. Eu fiz isto e consegui baixar os arquivos sem problemas.

A primeira parte do livro consta de 5 capítulos, com um introdução ao vinho, sua história, como são feitos os diversos tipos de vinhos, como apreciar o vinho e a arte da harmonização do vinho com a comida.

As quatro seções seguintes cobrem as regiões vinículas mundiais, com a seção II dedicada à Europa, a seção II dedicada à América do Norte e a seção IV o resto do mundo.

A seção que está disponível on-line cobre os negócios do vinho, incluindo questões relacionadas ao marketing e distribuição, elaboração e gerenciamento de uma carta de vinho e a venda e serviço do vinho. Também inclui alguns apêndices sobre as leis e áreas vitícolas norte-americanas, classificações francesas e organizações e publicações vinícolas.

O livro traz também um apêndice exclusivo para a edição brasileira sobre o vinho no Brasil, escrito por Gerson Bonilha Junior, que faz um panorama sobre o vinho em nosso país, cobrindo história, regiões vinícolas e legislação.

Para mim, a primeira e a última seção são as mais interessantes do livro, pois abordam com boa profundidade muitos assuntos que só são cobertos de forma muito superficial na maioria dos livros disponíveis no mercado.

Enfim, embora seja um pouco caro, vale a pena adquirir, pois constitui-se em um livro indispensável na biblioteca de qualquer um que leve o vinho à sério.