Riesling, a Mais Importante Uva da Alemanha

A Uva

É Riesling é, sem dúvida alguma, a principal uva cultivada na Alemanha, sendo diretamente associada a grandes vinhos produzidas nesse país.

O prestígio dos vinhos alemães foi um pouco afetado nas últimas décadas pela enxurrada de vinhos de baixa qualidade exportada pelos alemães no final do século XX. O Brasil, em especial, conheceu bem esse fenômeno, com as mal afamadas garrafas azuis.

Riesling

A uva Riesling

No entanto, os vinhos alemães produzidos com a Riesling não tem nada a ver com isso e na verdade, estão entre os melhores e mais caros vinhos brancos produzidos no mundo.

A Riesling é considerada, ao lado da Chardonnay, uma das melhores uvas brancas e ambas produzem vinhos bem marcantes.

Da mesma forma que com a Pinot Noir, é uma uva difícil, não se adaptando bem em qualquer clima, mas que produz grandes vinhos em algumas poucas regiões da Europa.

Característica do Vinho da Riesling

O vinho produzido com a Riesling costuma expressar bem o terroir da região em que é produzido e nos melhores vinhos, evolui bem com o tempo e desenvolve um perfume bastante rico, intenso e complexo.

A maioria da literatura sobre a Riesling menciona que o aroma do vinho envelhecido lembra petróleo, que a maioria coloca como uma qualidade, embora isso não seja consenso.

No sabor há uma predominância de frutas brancas e elevada acidez, com um paladar fresco e com notas minerais.

Na aparência, nos vinhos jovens predominam um amarelo brilhante e prateado. Já nos vinhos mais velhos, a cor se aproxima de um dourado intenso .

Quanto a textura, a Riesling pode produzir desde um vinho seco, ácido e com baixo teor alcóolico até o famoso vinho de sobremesa alemão Trockenbeerenauslese ou TBA, que é muito concentrado em açúcar.

 Vinificação

Com relação à vinificação, não se costuma utilizar barris de carvalho e quando se utilizam, são normalmente toneis de carvalho muito antigos, onde o gosto do carvalho não se faz mais sentir no vinho produzido. Mas o mais utilizado mesmo são os tambores de aço inox.

Os vinhos com esta uva podem ser guardados por bastante tempo, principalmente os vinhos doces de colheita tardia, que costumam durar até vinte anos.

A Riesling, quando atacada pela famosa praga denominada botrytis cinerea, faz com que a mesma produza vinhos doces de altíssima qualidade, que por isso são bastantes raros e caros.

Principais Regiões Produtoras

A Riesling é plantada principamente na Alsácia, na França e em quase toda a Alemanha e na Áustria. É uma uva que da-se melhor em climas mais frios e no Novo Mundo é ainda pouco cultivada,.

Tem se conseguido bons resultados com a Riesling em parte da Austrália, Nova Zelândia e África do Sul.

Atualmente o estado de Washington nos Estados Unidos tem produzido bons vinho com a Riesling.

No entanto, os melhores vinhos com essa uva vem mesmo da região do Reno, na Alemanha.

A Popular Sauvignon Blanc

Sauvignon Blanc

Videira de Sauvignon Blanc

A Sauvignon Blanc é uma uva originária do distrito de Graves, na França, onde também é conhecida como Fumé Blanc. No entanto, ela cresce em todo tipo de região do mundo, razão pela qual produz-se com esta uva um dos varietais brancos mais populares do mundo.

A Sauvignon Blanc é parente biológica da tinta Cabernet Sauvignon. Ela cresce em videiras frondosas e vigorosas, que produzem cachos compactos, com bagos de verde-pálidos e de casca fina. Estas características tornam esta cepa particularmente vulnerável à podridão, necessitando-se, portanto, de cuidados especiais no seu cultivo.

Esta é uma uva vigorosa que tende a gerar grandes safras e que amadurecem rapidamente, sendo apropriada para produzir vinhos simples e baratos, de produção em massa. No entanto, bons vinhos são também produzidos com esta uva.

Seus vinhos têm uma cor amarelo-palha pálido. Quando envelhecidos em barris de carvalho, assumem uma cor dourada. Seus aromas recendem a vegetal, herbáceo, de amora silvestre e melão. Muitos críticos renomados, como é o caso de Jancis Robinson, associam à Sauvignon Blanc aroma de xixi de gato e, acreditem, isto como uma característica positiva!

O clima onde ela é cultivada exerce bastante influência no resultado final. Sob clima frio, os aromas remetem a grama, sabores de ervas e frutas cítricas. Já nos climas quentes, temos a predominância de sabores mais brandos de melão.

Na região de Loire, na França, ela é responsável pela produção de vinhos brancos leves de Sancerre e também os vinhos defumados da região de Pouilly-Fumé. Já em Bordeaux, a maioria dos vinhos brancos secos são produzidos com Sauvignon Blanc, principalmente nos pequenos chateaux. Ela entra também na composição do famoso vinho de sobremesa de Sauternes.

Em geral, os vinhos produzidos com esta uva são para serem bebidos jovens e frescos. É melhor escolher sempre as safras mais recentes, pois seus vinhos não costumam desenvolver complexidades com o tempo, mas somente um amaciamento na acidez.

A reputação internacional da Sauvignon Blanc se formou com os vinhos produzidos principalmente em Merlborough, na Nova Zelândia. Estes vinhos tem como características serem agudamente frutados no nariz, com presença acentuada de alcool e de doçura para contrapor acidez natural da uva.

Atualmente, o país que está produzindo vinhos mais parecidos com a Nova Zelândia é o Chile. Outro grande região produtora de vinhos com Sauvignon Blanc é a California, nos Estados Unidos.

 

 

Pequena História do Vinho IV – A Era de Ouro

Novos desenvolvimentos na produção e comercialização do vinho

Os séculos XVIII e XIX foram de de grandes desenvolvimentos para a indústria e comercialização do vinho. A invenção da rolha e do vidro permitiram que este fosse armazenado por longo tempo e transportado para grandes distâncias, intensificando assim o comércio.

Os avanços na química e na microbiologia provocou uma verdadeira revolução na viticultura, impulsionando o aumento na qualidade dos vinhos. Foram aperfeiçoadas nesse época técnicas de vinificação de vinhos doces, espumantes e fortificados.

Foram neste período também que o cultivo do vinho foi expandido para lugares longe da Europa, como a África e as Américas.

Mas foi no século XIX que o vinho sofreu seu maior avanço e seus golpes mais avassaladores.

Atraídos pelo prestigio que o vinho adquiriu nesta época, famílias abastadas começaram a adquirir propriedades e a colocar os seus nomes nos rótulos dos vinhos, se associando diretamente ao vinho produzidos em suas terras. Nasce aí a cultura de apreciação do vinho como conhecemos hoje.

A introdução da classificação na França.

Chateau Palmer

Château Palmer, na região de Medoc, Bordeaux

A França lançou em 1855 a primeira classificação de de seus vinhedos, com a famosa classificação de Bordeaux, envolvendo a península de Medoc e dos vinhos doces de Sauternes. Esta classificação permanece até hoje, com uma única alteração em 1973, para a inclusão do Châteu Mouton-Rothschild no topo da classificação.

Esta primeira classificação foi baseada nos vinhos mais vendidos na época, mas acabou por consolidar o prestígio da denominação Châteu em Bordeaux, que passou assim a ser sinônimo de qualidade. Isto foi reforçado também pelo fato de que a primeira metade do século XIX propiciou safras esplêndidas, o que deixou este período conhecido como a era de ouro do vinho.

A praga da Filoxera

Filoxera

Folha de parreira infectada pela filoxera

Mas se a primeira metade do século XIX foi de galmour e prosperidade para o vinho, a segundo metade foi marcada por um acontecimento que quase destruiu por completo o cultivo do vinho na Europa. Este acontecimento ficou conhecido como a praga da filoxera.

A filoxera é um inseto pequeno, sugador de seiva, que se alimenta nas raízes e nas folhas do vinhedo. Apareceu pela primeira vez no Sul da França em 1868, trazido dos Estados Unidos, onde este existia nos vinhedos americanos mas não produzia danos, pois as espécies de uvas americanas eram resistentes à essa praga.

Em vinte anos esta praga destruiu quase todos os vinhedos da França, se alastrando em seguida pela Alemanha, Espanha, Itália, Grécia e outras regiões da Europa. Em algumas regiões, muitos vinhedos não foram mais reimplantados e muitas variedades de uvas desaparecem por completo na Europa. A praga somente foi dominada com a introdução de enxertos de uvas americanas resistentes aos danos do inseto nas cepas européias.

O século também foi marcado por mudanças de europeus para o Novo Mundo, trazendo técnicas da Europa para o novo mundo, que juntos com as técnicas locais, provocaram inovações na produção do vinho. Esta evolução se consolidou ao longo do século XX e alterou por completo o panorama do vinho no mundo.

Fontes: Henderson & Dellie, Sobre Vinhos, Cengage, 2012.; Vinhos do Mundo Todo, Zahar Ed., 2006.

Veja também:

Pequena História do Vinho III: Do Século XII ao Surgimento do Champagne

 

Duas Boas Introduções ao Mundo do Vinho

Vinho Sem Segredos. Patricio Tapia, Editora Planeta do Brasil, 2006, R$ 34,90. Introdução ao Mundo do Vinho. Ciro Lilla, Editora WMF Martins Fontes, 4ª Edição, 2013. R$ 32,00.

Introducao ao Mundo do Vinho

Capa do livro Introdução ao Mundo do Vinho, de Ciro Lilla

Estes são duas das melhores introduções ao mundo do vinho disponíveis no mercado para quem está querendo se aprofundar no assunto. São ambas bem escritas,informativas e, na verdade, se complementam uma a outra, pois têm enfoques diferentes.

O do Ciro Lilla, já na 4ª edição, foi o primeiro livro que li sobre vinhos quando estava começando a me interessar pelo assunto. Ciro Lilla é um conhecido empresário do mercado brasileiro, proprietário da importadora Mistral, a maior do Brasil na atualidade e com um dos maiores catálogos de vinhos da América Latina.

O livro faz um bom panorama do mundo do vinho, trazendo inicialmente um pouco de história desta bebida, noções preliminares e tipos de uvas. Em seguida vem o capítulo mais longo do livro, trazendo uma abordagem abrangente dos países produtores mais importantes. O livro traz ainda a descrição de alguns vinhos famosos, um pouco sobre harmonização, cuidados, conselhos e equipamentos e fecha com uma seção de perguntas e respostas sobre as questões mais comuns que as pessoas fazem quando estão começando a apreciar o vinho.

Enfim, trata-se de um livro fácil de ler, com informações objetiva para quem está começando e tem muitas dúvidas, e que são respondidas no livro por quem entende bastante do assunto.

Vinho Sem Segredos

Capa do livro Vinhos Sem Segredos, do crítico chileno Patricio Tapia

Já o livro de Patricio Tapia tem um foco bem distinto do de Ciro Lilla. Tapia, um famoso crítico chileno, é editor do site Planetavino.com, um dos sites de vinhos mais importantes do Chile. Tapia escreve para várias revistas internacionais de vinho, entre elas a Wine Spirit.

O livro tem um enfoque maior na produção e apreciação do vinho, descrevendo com mais detalhes as uvas, as técnica de plantio e de vinificação. O livro mostra também como devem ser feitas as degustações, conselhos de como servir o vinho, fazer a guarda do mesmo e o papel do sommelier.

O livro é bastante focado nos vinhos da América do Sul e a contrário do de Lilla, faz pouca menção aos vinhos europeus ou de outros países.

Fartamente ilustrado, certamente é também um bom livro para quem está começando.