Comprando Vinhos em Supermercados

Os vinhos nos supermercados

Em viagem pela Europa não há como não ficarmos admirados pela variedade de vinhos que podemos encontrar nos supermercados, que possuem sessões enormes e a preços convidativos.

Há alguns anos atrás, no Brasil, era difícil encontrar em supermercados vinhos que não fossem de entrada das grandes vinícolas, os afamados “reservados”, por exemplo, além dos vinhos nacionais do tipo suaves, feitos com uvas americanas, não viníferas.

Nos dias atuais, no entanto, os supermercados brasileiros se sofisticaram e passaram a investir em áreas separadas para vinho e em alguns casos, em adegas climatizadas e funcionários qualificados para orientar o cliente na escolha do produto.

 Adega climatizada em um  supermercado de Brasília


Adega climatizada em um supermercado de Brasília

Hoje é possível encontrar bons rótulos em supermercados até mesmo em cidade do interior do Brasil.

Aqui perto de casa, só para ilustrar, há um supermercado que possui uma adega climatizada em um piso inferior, onde pode-se comprar, além do básico, vinhos de boa qualidade caros e sofisticados como champagnes francesas, rótulos como Sassicaia, Don Melchor ou Barca Velha, só para ficar em alguns poucos exemplos.

 

Qualidade x  preço

Alguns sommelliers aconselham a evitar comprar vinhos em supermercado, pois argumentam que esses não possuem um bom sistema de armazenamento, o que pode comprometer a qualidade dos vinhos.

Isto até pode ser verdade, mas nem sempre comprar em adegas especializadas garante a qualidade, pois embora haja adegas onde o cuidado com o manuseio e a guarda do vinho são bem feitos, isto nem sempre é a regra geral.

Com efeito, já comprei vinho oxidado tanto de supermercado como de adegas conceituadas aqui em Brasília.

Assim, o supermercado não pode ser descartado como canal de compra de vinhos, principalmente para o consumo diário.

Além disso, os supermercados compram os rótulos populares em grandes quantidade e podem praticar bons preços, valendo a pena comprar vinhos nesses casos.

Deve-se ter cuidados com vinhos mais caros, pois os supermercados  tem uma política de preços bastante aleatória, o que pode nos levar a comprar vinhos medianos a preços de vinhos caros.

Para este tipo de vinho é melhor comprar em adegas especializadas, ou pela internet diretos com os distribuidores ou nos clubes de vinhos existentes.

Ou seja, vale a pena pesquisar por informação para ver se aquele vinho que estamos levando por um preço elevado se trata mesmo de um vinho superior.

Riesling, a Mais Importante Uva da Alemanha

A Uva

É Riesling é, sem dúvida alguma, a principal uva cultivada na Alemanha, sendo diretamente associada a grandes vinhos produzidas nesse país.

O prestígio dos vinhos alemães foi um pouco afetado nas últimas décadas pela enxurrada de vinhos de baixa qualidade exportada pelos alemães no final do século XX. O Brasil, em especial, conheceu bem esse fenômeno, com as mal afamadas garrafas azuis.

Riesling

A uva Riesling

No entanto, os vinhos alemães produzidos com a Riesling não tem nada a ver com isso e na verdade, estão entre os melhores e mais caros vinhos brancos produzidos no mundo.

A Riesling é considerada, ao lado da Chardonnay, uma das melhores uvas brancas e ambas produzem vinhos bem marcantes.

Da mesma forma que com a Pinot Noir, é uma uva difícil, não se adaptando bem em qualquer clima, mas que produz grandes vinhos em algumas poucas regiões da Europa.

Característica do Vinho da Riesling

O vinho produzido com a Riesling costuma expressar bem o terroir da região em que é produzido e nos melhores vinhos, evolui bem com o tempo e desenvolve um perfume bastante rico, intenso e complexo.

A maioria da literatura sobre a Riesling menciona que o aroma do vinho envelhecido lembra petróleo, que a maioria coloca como uma qualidade, embora isso não seja consenso.

No sabor há uma predominância de frutas brancas e elevada acidez, com um paladar fresco e com notas minerais.

Na aparência, nos vinhos jovens predominam um amarelo brilhante e prateado. Já nos vinhos mais velhos, a cor se aproxima de um dourado intenso .

Quanto a textura, a Riesling pode produzir desde um vinho seco, ácido e com baixo teor alcóolico até o famoso vinho de sobremesa alemão Trockenbeerenauslese ou TBA, que é muito concentrado em açúcar.

 Vinificação

Com relação à vinificação, não se costuma utilizar barris de carvalho e quando se utilizam, são normalmente toneis de carvalho muito antigos, onde o gosto do carvalho não se faz mais sentir no vinho produzido. Mas o mais utilizado mesmo são os tambores de aço inox.

Os vinhos com esta uva podem ser guardados por bastante tempo, principalmente os vinhos doces de colheita tardia, que costumam durar até vinte anos.

A Riesling, quando atacada pela famosa praga denominada botrytis cinerea, faz com que a mesma produza vinhos doces de altíssima qualidade, que por isso são bastantes raros e caros.

Principais Regiões Produtoras

A Riesling é plantada principamente na Alsácia, na França e em quase toda a Alemanha e na Áustria. É uma uva que da-se melhor em climas mais frios e no Novo Mundo é ainda pouco cultivada,.

Tem se conseguido bons resultados com a Riesling em parte da Austrália, Nova Zelândia e África do Sul.

Atualmente o estado de Washington nos Estados Unidos tem produzido bons vinho com a Riesling.

No entanto, os melhores vinhos com essa uva vem mesmo da região do Reno, na Alemanha.

Grandes Vinhos: Châteauneuf-du-Pape

Origem Histórica

Châteauneuf-du-Pape, ou Novo Castelo do Papa em português, é a mais célebre denominação vinícola do sul do Rhône, na França. O Châteauneuf-du-Pape era o palácio de verão dos Papas e foi construído no século XIV. Hoje dele só restam ruínas, pois foi destruído no final da Segunda Guerra Mundial.

A denominação teve sua origem na época da mudança da sede do papado de Roma para Avignon, na França, no reinado de Felipe, o Belo. O vinho que era produzido na redondezas do castelo ficou conhecido por este nome. Foi o primeiro vinho francês a ter sua produção regulamentada por uma legislação específica, implementada em 1923.

A Denominação

É uma grande denominação, com 3.150 hectare e que produz mais de 1 milhão de caixas por ano. Apesar deste grande volume de produção, os padrões são bastante elevados, mas também existem vinhos não tão bons produzidos com essa denominação.

Para ostentar o nome da denominação na garrafa, a produtividade tem de ser baixa, com rendimento de no máximo de 3,3 mil litros por hectare, teor mínimo de álcool de 12,5% e utilização da técnica de seleção de uvas chamadas triagem, onde pelo menos 5% das uvas são rejeitadas antes da fermentação, por serem imaturas, maduras demais ou apresentarem doenças.

Composição e Característica

Garrafas Chateauneu du Pape

Garrafas de vinhos da denominação Chateauneu-du-Pape

Na composição de sua produção pode ser utilizada até 13 tipos de uvas, mas normalmente utiliza-se uma quantidade menor, podendo ser produzido somente com uma, geralmente a Grenache, respondendo normalmente por 50% a 70% da composição. Outras uvas bastantes utilizadas são a Syrah, a Mourvèdre e a Cinsault. Algumas cepas brancas são também utilizadas, como a Grenache Blanc e a Roussane.

O resultado final depende mais do capricho e do know how do produtor do que a variedade da uva utilizada na produção.

Os vinhedos, por sua vez, são normalmente auto-suficientes: produzem as uvas e engarrafam na mesma propriedade. Quando isso acontece, os vinhos produzidos apresentam o brasão papal na garrafa, um pouco acima do rótulo. Este é um sinal de qualidade, mas existe vinhos sem brasão que podem até ser melhores do que alguns que o possuem.

Como característica, é um vinho tinto encorpado, com alto teor alcóolico, de cor escura e possui um buquê que lembra amora, figo, canela, cravo, alcatrão, café e cedro. É normalmente redondo e pode envelhecer por décadas na garrafa.

Embora a predominância da produção seja de vinho tinto, cerca de 97%, a demanda por vinho branco tem aumentado nos últimos anos.

Uma maneira segura de comprar um bom Châteuneuf-du-Pape é escolher entre bons produtores. Entre os melhores produtores podemos citar: Château Fortia, Château de Beaucastel, Chante-Perdrix, Château la Nerthe e Domain de Mont-Redon e Clos dês Papes.

 

Espumante e Champagne São a Mesma Coisa?

Características

Espumante é o nome genérico que se dá para um vinho borbulhante ou efervescente. É um vinho duplamente fermentado, sendo que a segunda fermentação se dá por meio da adição de levedura ou açúcar ao vinho produzido na primeira fermentação. Esta segunda fermentação é a que permite a formação de bolhas de gás carbônico, responsável pela efervescência do vinho.

O espumante geralmente é um vinho branco, mas também se produz espumante rosé ou mesmo tinto.

Ele pode ter diversas graduações de doçura, indo do mais seco ao mais doce, conforme a seguir: Extra-Brut, Brut, Extra-Dry, Sec, Demi-Sec, Doux ou doce. O mais comum são o Brut ou seco e o Demi-Sec, mais adocicado.

Remuage

Processo manual de produção do Champagne em uma vinícola na França

As uvas mais utilizadas na produção do espumante são, na França, a Pinot Noir, a Chardonnay e a Pinot Meunier. Na California, a Pinot Noir e Chardonnay e, com menos freqüência, a Pinot Meunier e a Pinot Blanc são as mais utilizadas.

Nos vinhos espumantes, as uvas são colhidas mais cedo, para que a uva não produza muito açúcar e assim, o vinho produzido na primeira fermentação não seja muito alcóolico, pois se aumentará a concentração de álcool na segunda fermentação. Nos climas frios, as uvas ficam maduras mais cedo, como na região de Champagne na França.

Além disso, não é desejável que o suco da uva carregue excessos de sabores ou cor da casca da uva. Para se evitar isso, a colheita manual cuidadosa também é muito importante.

O vinho espumante mais famoso do mundo é o produzido na região de Champagne, na França. Esta região conta com cerca de 300 produtores, produzindo anualmente mais de 250 milhões de garrafas.

Outros espumantes famosos são a Cave, da Espanha e o Prosecco, na Itália. O Brasil também vem se destacando na produção de espumantes e se não chega a ameaçar o champagne francês, já estamos nos igualando ou até superado em qualidade os espanhóis e italianos.

História

O espumante foi desenvolvido pela primeira vez na região de Champagne no século XVIII e sua invenção foi atribuída ao monge beneditino Dom Perignon. Foi o monge que descobriu o controle da dupla fermentação, que foi aperfeiçoada posteriormente pela Madame Nicole Ponsardin, a famosa veuve da Maison Clicquot.

Dom Perignon

Estátua de Dom Perignon, o inventor do Champagne

O desenvolvimento do espumante se beneficiou de duas importantes invenções da vinificação do século XVII: a invenção da rolha e da garrafa de vinho. A rolha e da garrafa de vidro permitiram a construção de uma embalagem impermeável e robusta para o vinho, capaz de segurar a pressão que o gás carbônico produzia.

As garrafas de espumante são mais robustas do que as dos demais vinhos, justamente para que possam aguentar essa pressão sem causar explosões, que eram frequentes no início da produção do espumante.

Métodos de vinificação

Existem diversos métodos de produção do espumante, mas os dois mais importantes são os seguintes:

Champenoise – Este é o método utilizado em toda a região de Champagne, também conhecido como método tradicional ou fermentado na garrafa. Neste método a segunda fermentação é produzida na própria garrafa que vai ser vendida ao consumidor final. Este é o processo mais caro, mas com que se produz os melhores espumantes do mundo.

Charmat – É um método desenvolvido por Eugène Charmat em 1907. Neste método a segunda fermentação é produzida em grandes tanques capazes de suportar a pressão produzidos pelo gás carbônico. Trata-se de um processo mais barato. Com esse método normalmente utilizam-se de uvas mais baratas, como Chenin Blanc e French Colombard.

Quem pode utilizar o termo champagne

O uso da palavra champagne no rótulos de uma garrafa tem sido motivo de disputas e acordos judiciais no mundo todo.

Em princípio, somente podem ostentar o termo Champagne no rótulo os vinhos produzidos na região de Champagne, na França. No entanto, era muito comum produtores da California, por exemplo, utilizarem a expressão “champagne da california”ou algo similar em seus rótulos

Em 2006 os Estados Unidos fecharam um acordo com a União Européia, onde ficou definido que os produtores que tradicionalmente usavam essas expressões em seus rótulos poderiam continuar sua utilização, mas para novos produtores isso não mais seria permitido.

Assim, de modo geral, o espumante produzido em outros lugares que não a região de Champagne podem ostentar em seus rótulos que o seu espumante é produzido pelo método tradicional, quando este é produzido pelo método champenoise ou método do champagne.

Leia também:

Pequena História do Vinho III: Do Século XII ao Surgimento do Champagne